46% dos brasileiros atrasaram alguma conta em 2016, diz SPC Brasil

Segundo estudo, 65% dos que atrasaram pagamentos no último ano tiveram o nome negativado. 77% dos brasileiros têm noção equivocada sobre o que é estar endividado e somente 10% já fizeram portabilidade de dívida

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que quase metade (46%) dos brasileiros atrasaram ou deixaram de pagar pelo menos uma conta em 2016.

Apesar disso, o percentual é menor do que em 2015, quando 53% admitiram ter pago alguma conta depois do prazo. As contas mais comprometidas em 2016 foram: cartão de crédito (19%), conta de luz (17%) e internet (13%, com aumento de 4,0 pontos percentuais em relação a 2015).

O educador financeiro do SPC Brasil e do portal de educação financeira Meu Bolso Feliz, José Vignoli, destaca que é preciso planejamento para conseguir pagar as contas em dia e manter uma vida financeira equilibrada. “Podemos notar que as contas com o pagamento atrasado se repetem ano após ano. Para um planejamento adequado, é necessário mapear todas as contas fixas. Evitar utilizar o cartão de crédito também pode ajudar, uma vez que esta modalidade possui altas taxas de juros pelo atraso no pagamento, que podem rapidamente levar ao superendividamento”, orienta.

Considerando as pessoas que deixaram de pagar ou atrasaram o pagamento de contas nos últimos 12 meses, 65% tiveram ou estão com o nome incluído em algum serviço de proteção ao crédito, sobretudo entre as classes C, D e E (69%). O número total teve uma queda de 3 pontos percentuais em relação a 2015, quando era de 68%. Quando se trata dos entrevistados negativados nos últimos 12 meses, somente 15% conseguiram regularizar a situação e 50% ainda estão negativados.

Segundo o último relatório de inadimplência divulgado pelo SPC Brasil e CNDL, ao final de 2016, 58,3 milhões (39%) da população brasileira adulta se encontrava registrada em listas de inadimplência.

Nove em cada dez brasileiros que são negativados mudam a forma de administrar os gastos após terem o nome sujo

Dos entrevistados que já estiveram com nome sujo pelo menos uma vez nos últimos 12 meses, 89% garantem ter mudado ao menos uma atitude na forma de administrar as finanças. Agora, 34% dizem que pensam muito antes de comprar algo, 30% começaram a controlar todos os gastos e 27% só compram se podem pagar à vista. Há também 24% que deixaram de emprestar o nome para terceiros,23% que evitam utilizar o cartão de crédito e até mesmo 11% que cancelaram os cartões.

Para Vignoli, “as mudanças no comportamento das pessoas são positivas, mas devem ser definitivas, para evitar nova negativação. Atitudes financeiras responsáveis devem ser adotadas independentemente de estar com o nome sujo”.

Oito em cada dez não sabem ao certo o que é estar endividado

De acordo com o estudo, 33% das pessoas se consideram endividadas no momento. Apesar disso, o estudo revela que 77% têm uma concepção equivocada sobre o que significa estar endividado. Para 45% dos entrevistados, uma pessoa com dívidas é aquela que tem contas em atraso. Três em cada dez (31%) disseram que estar endividado é quem está com nome em entidades de proteção ao crédito, e apenas 21% compreendem que uma pessoa endividada é aquela que possui parcelas a vencer ou empréstimos feitos.

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, é importante que o consumidor entenda, de fato, o significado de estar endividado para conseguir se planejar melhor. “Independentemente de estar com as contas em atraso, a pessoa deve entender que quando uma compra é parcelada ou empréstimo é feito, ela está assumindo uma dívida. Por isso, é necessário um controle rígido para que as dívidas não se acumulem e resultem em um descontrole das finanças”, aconselha.

Apenas 10% dos entrevistados já fizeram portabilidade de dívida

Em 2014, o Banco Central regulamentou a portabilidade de crédito ou transferência de dívida. A partir de então, o consumidor pode transferir sua dívida para uma instituição que ofereça melhores condições de pagamento do que a instituição atual, como juros e encargos menores. Entretanto, somente 10% dos entrevistados disseram já ter feito a portabilidade de dívida.

“Apesar de pouco utilizada e conhecida, a portabilidade de crédito é uma opção válida e de grande ajuda para amenizar o pagamento da dívida de quem já se complicou com as finanças. O consumidor pode checar se alguma outra instituição tem melhores condições para transferir a dívida, o que pode significar juros e custos menores”, indica economista-chefe do SPC Brasil.

No entanto, o consumidor que deseja realizar esse tipo de portabilidade deve ficar atento: a transferência não pode estar condicionada à aquisição de outro produto ou serviço da instituição.

Metodologia

A pesquisa procurou avaliar o grau de educação financeira dos brasileiros e entender como o consumidor se relaciona com o dinheiro. Foram entrevistados 606 consumidores acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais. A margem de erro geral é de 4,0 pontos percentuais para um intervalo de confiança a 95%.

SPC Brasil CNDL

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