Preconceito é apontado como base de violência policial

Atuação da PM em bairros periféricos pauta discussão em audiência na ALMG sobre o racismo institucionalizado no Brasil.

O consenso entre os participantes da audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, realizada nesta quarta-feira (13), é de que jovens, negros e moradores de territórios periféricos continuam sendo as maiores vítimas da violência policial no Brasil.

De acordo com participantes da reunião, movimentos e manifestações culturais como bailes funk, hip-hop, batalhas de DJs e outros eventos afins, com participação popular nesses territórios, têm sido reprimidos por puro preconceito. A vereadora Áurea Carolina (Psol), presente à reunião, chamou isso de “filtragem racial”. “O afrodescendente é sempre o primeiro suspeito”, afirmou a vereadora, que também é presidenta da Comissão Especial sobre o genocídio da população negra e periférica da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

A coordenadora-geral do Centro de Referência da Cultura Negra, Mônica Aguiar, deu um depoimento emocionado sobre a violência sofrida , recentemente por sua família. “Diz-se que jovem negro parado é suspeito; se correr, é bandido. Mas temos que entender que esse jovem corre, muitas vezes, porque tem medo da polícia”, argumentou.

Genocídio – Gilberto da Silva Pereira, da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), afirmou que toda as discussões sobre violência nas periferias acaba sempre voltando para a questão do genocídio da população negra. “A criminalização do negro existe desde a colonização do Brasil, precisamos desconstruir isso”, disse. Gilberto lembou que, no passado recente, até os praticantes de capoeira eram presos indiscriminadamente nas ruas.

O presidente da Comissão, deputado Cristiano Silveira (PT), lembrou dados estatísticos que mostram que a polícia brasileira é a que mais mata no mundo; mas também é a que mais morre em serviço. Ele também enfatizou que a maioria das vítimas da violência policial são os jovens negros e pobres. “Não podemos ser generalistas, mas esses dados têm que nos mostrar alguma coisa”, disse ele, provocando o debate.

Fonte: ALMG