Unificação de carreiras é demanda de professores em greve

Parados há 46 dias, educadores da rede infantil denunciam intransigência da prefeitura e corte de salários

Professores grevistas, Fotógrafo Guilherme Bergamini

“O mínimo que podemos aceitar é o atendimento de 80% das nossas reivindicações, como proposta que a prefeitura já apresentou e depois retirou. Não aceitamos menos do que isso. Não somos moleques, somos trabalhadoras”, afirmou a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte, Maria da Conceição Oliveira Silva. A posição foi apresentada em audiência pública na manhã desta sexta-feira (8/6/18) que tratou da greve dos professores das Unidades Municipais de Educação Infantil (Umei), que já dura 46 dias.

Professores grevistas, Fotógrafo Guilherme Bergamini

A reunião foi realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A ausência de representantes da prefeitura foi criticada por todos os presentes, que ressaltaram que o prefeito, Alexandre Kalil, fechou todas as negociações. Uma das principais reivindicações da categoria é a unificação com a carreira de professores do Ensino Fundamental. As educadoras do Ensino Infantil têm salário inicial de R$ 1.450, enquanto as do Ensino Fundamental começam a carreira com R$ 2.220, ambos valores brutos.

Professores grevistas, Fotógrafo Guilherme Bergamini

A dificuldade em se negociar com a prefeitura começou, segundo a diretora do sindicato, Maria da Conceição Silva, desde a apresentação das reivindicações. Ela afirmou que quase 15 dias antes do início da greve as demandas foram entregues ao prefeito e nenhuma resposta foi oferecida. Ela ressaltou, ainda, que algumas propostas chegaram a ser oferecidas pela prefeitura, mas todas foram retiradas. As professoras, já que mulheres são maioria na categoria, que lotaram o auditório da ALMG durante a reunião demonstraram insatisfação com a postura da administração municipal.

Outro ponto de insatisfação salientado pelos convidados foi a truculência com que o movimento foi recebido em frente a prefeitura da Capital no primeiro dia da greve, 23 de abril. “Sou militante desde a década de 1970 e me lembro que, em 1979, o governo da Ditadura colocou a polícia para bater em professores. Elas apanharam, receberam bombas de gás e jatos d’água. Isso ficou na memória dos professores mineiros. E nós, no mês passado, fomos tratados exatamente do mesmo jeito”, disse Maria da Conceição Silva. Ela acusou o prefeito Kalil e o governador, Fernando Pimentel de ordenarem os ataques.

Professores grevistas, Fotógrafo Guilherme Bergamini

Reconhecimento – A busca pela dignidade da profissão também pautou a manifestação da professora Maria Antonieta Viana. “Não queremos aumento de salário, queremos reconhecimento”, disse, ao ressaltar que a proposta atual, que oferece ganho salarial para parte da categoria, não as contempla, já que o que elas querem é a unificação da carreira com a dos professores do Ensino Fundamental. Segundo ela, as Umeis contam com cerca de 4.700 educadoras e a proposta de aumento é só para aquelas que cursaram Pedagogia ou Escola Normal (magistério), não para todas as que completaram curso de graduação.

Professores grevistas, Fotógrafo Guilherme Bergamini

Outra preocupação apresentada pela professora foi o corte de parte dos salários das professoras que estão em greve. “Ontem uma professora da Umei Baleia chegou até a mim no acampamento pedindo pelo amor de Deus para ganhar uma cesta básica. Isso não é aceitável”, disse. O movimento grevista está fazendo uma campanha para arrecadar essas cestas e distribuir entre as que tiveram cortes nos salários. Ela se emocionou e disse que o sucateamento do salário da categoria começou há cerca de 14 anos.

O representante do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE/MG), Paulo Henrique Fonseca, manifestou o apoio ao movimento dos educadores municipais. Disse, ainda, que os professores estaduais também devem entrar em greve a partir da próxima segunda-feira (11) para pedir o fim dos parcelamentos dos salários.