Mais da metade dos mineiros desconhece esclerose múltipla, diz pesquisa

A falta de informação é um dos desafios para o diagnóstico de uma doença que afeta mais de 35 mil brasileiros e cujos primeiros sintomas aparecem em pacientes com idade entre 20 e 40 anos

Divulgação

A esclerose múltipla é uma doença neurológica que desencadeia diversas falhas de comunicação entre o sistema nervoso e o corpo.  A condição atinge cerca de 35 mil brasileiros, porém, este conhecimento básico da patologia está bem longe da realidade dos mineiros. Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em Minas Gerais apontou que 53% da população de Belo Horizonte nunca ouviu falar da doença e que, quando a identificam, atrelam à sintomas errados como envelhecimento ou perda de memória.

Os dados da pesquisa, encomendada pela Roche Farma Brasil demonstraram outras percepções erróneas: 42% das pessoas que conhecem a doença acreditam que ela esteja relacionada com pessoas acima dos 60 anos e 32% associam à doenças fatais. Dor de cabeça constante e problemas de memoria foram citados também como sintomas recorrentes da esclerose múltipla.

De acordo com o Dr. Jefferson Becker, presidente do Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla e Doenças Neuroimunológicas (BCTRIMS), a falta de informação é uma das dificuldades do diagnostico da doença, que chega a demorar sete anos para ser descoberta pelo paciente. “As pessoas acreditam que a esclerose é relacionada ao envelhecimento ou alguma doença genética, que traz consequências muitos graves ou fatais. Esse desconhecimento faz com que as pessoas que sentem os verdadeiros sintomas, como fadiga e comprometimento da coordenação motora, não busquem ajuda de um especialista”, explica o neurologista.

A pesquisa demonstra em números que a falta de cuidado com a saúde, que é um problema das grandes capitais, também pode ser um dificultador para o diagnóstico. O Datafolha apurou que 71% dos mineiros nunca foram ao neurologista, especialidade referência para o diagnóstico certeiro. Comparada às cidades vizinhas, como Rio de Janeiro e São Paulo, a capital mineira é a que menos visita esta especialidade médica.

Para o especialista, um ponto delicado da esclerose múltipla é que os sintomas não são constantes. Quadros como falta de equilíbrio, visão turva, formigamento, são sensações diferentes, porém, todos podem ser sinais de esclerose múltipla. O médico explica que essas sensações fazem parte da ação da doença. “A esclerose múltipla surge quando o sistema imunológico ataca o sistema nervoso central, afetando cérebro, medula espinal e nervos ópticos, por este motivo, os sintomas podem aparecer em diversas regiões”.

A realidade dos pacientes com esclerose múltipla no Brasil é que, apesar da doença ser neurológica, progressiva e sem cura, com o tratamento adequado, os pacientes podem desfrutar de uma vida com qualidade. Porém, a pesquisa mostra que a sociedade que conhece a doença acredita que o diagnóstico é limitador: 65% dos entrevistados acreditam que a pessoa com a doença deve ficar em casa.

“É importante comunicar que a pessoa com esclerose múltipla pode – e deve – exercer todas as suas funções na sociedade. Ter a doença não tem de ser um fator limitador para a realização de nenhum feito. É para isso que estamos desenvolvendo novas formas de terapias”, finaliza o Dr. Becker.

Com o intuito de estimular o apoio aos pacientes e alertar sobre a importância do diagnóstico precoce, o Shopping Cidade e o Cinemark do Diamond Mall receberão o movimento #MúltiplasRazões, que irá proporcionar ao público uma experiência de realidade virtual para simular alguns sintomas da EM. A atividade apresentará um espaço com informações sobre a doença e ofertará a possibilidade de se vivenciar os sinais da esclerose múltipla, por meio da realidade virtual. O Cinemark contará, ainda, com um banco personalizado, oferecendo um “lugar para sentar”, que mostrará, de forma lúdica, como a fadiga atinge o paciente com esclerose múltipla.

A ação contará com apoio do BCTRIMS, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), das ONGs Movimento dos Portadores de Esclerose Múltipla (MOPEM), Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), Associação Mineira de Apoio aos Portadores de Esclerose Múltipla (AMAPEM), Associação Goiana de Esclerose Múltipla (AGEM), da Roche Farma Brasil e de especialistas. Para mais informações acesse: www.multiplasrazoes.com.br

A atividade no Cinemark foi comercializada pela FLIX Media, maior canal de cinema da América do Sul.

Serviço 

VR
– De 13 a 18 de agosto no Shopping Cidade – Rua dos Tupis, 337, Centro, Belo Horizonte – das 9h às 22h

VR e Banco
– De 30 de agosto a 5 de setembro no Cinemark do Shopping Diamond Mall – Av. Olegário Maciel, 1600, Lourdes, Belo Horizonte.

Sobre a esclerose múltipla

A esclerose múltipla (EM) é uma doença crônica que afeta cerca de 35 mil pessoas no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla – ABEM, para a qual não há cura. EM ocorre quando o sistema imunológico ataca anormalmente o isolamento em torno de células nervosas (bainha de mielina) no cérebro, medula espinhal e nervos ópticos, causando inflamação e danos consequentes. Este dano pode causar uma ampla gama de sintomas, incluindo fraqueza muscular, fadiga e dificuldade em ver, e pode, eventualmente, levar à deficiência. A maioria das pessoas com EM são mulheres e experimentam seu primeiro sintoma entre 20 e 40 anos de idade, tornando a doença a principal causa de incapacidade não-traumática em adultos mais jovens.

A EM remitente recorrente é a forma mais comum da doença, aproximadamente 85% dos diagnosticados, e caracteriza-se por episódios de sinais ou sintomas novos ou agravados (recorrências), seguidos de períodos de recuperação. A maioria dos pacientes desta forma da doença irá, eventualmente, fazer transição para EM secundária progressiva, em que eles experimentam agravamento contínuo da deficiência ao longo do tempo.

Já a EM primária progressiva é uma forma mais debilitante da doença marcada por sintomas que se agravam de forma constante, mas tipicamente sem recorrências distintas ou períodos de remissão. Aproximadamente 15% dos pacientes com esclerose múltipla diagnosticados, têm a forma progressiva da doença e, até agora, não havia nenhuma terapia aprovada.

A atividade da doença consiste em inflamação no sistema nervoso e perda permanente de células nervosas no cérebro e medula espinhal, mesmo quando seus sintomas clínicos não são aparentes ou não parecem estar piorando. O objetivo do tratamento é reduzir a atividade da doença para impedir que a incapacidade progrida.