Aluna prodígio busca vaga nas olimpíadas internacionais de astronomia

Ela conquistou nota 9,75 na competição nacional, ganhou medalha de ouro e foi chamada para a seleção daqueles que vão representar o Brasil nas olimpíadas internacionais de astronomia de 2019.

Acom/PMI

Jucilene dos Santos, 14 anos, não se dava conta do quanto era boa em ciências do espaço até que, por insistência da professora Maria Kleire Mendes, do Colégio Municipal Professora Didi Andrade, decidiu participar da 21ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). Ela conquistou nota 9,75 na competição nacional, ganhou medalha de ouro, e mais: foi chamada para a seleção daqueles que vão representar o Brasil nas olimpíadas internacionais de astronomia de 2019 – a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, em inglês) e a Olimpíada Latino Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA).

Itabira/MG – A adolescente orgulha a Secretaria Municipal de Educação (SME). Segundo seus professores, a dedicação e esforço de Jucilene sempre se destacaram.  Faça sol ou faça chuva, a aluna do nono ano sai todos os dias da comunidade rural de Ribeirão São José de Cima para assistir às aulas no Didi Andrade, na avenida Osório Sampaio.

Eu sempre gostei mais de matemática. Ciências nunca despertou tanto meu interesse, mas, depois da Olimpíada, passou a chamar mais minha atenção, narra a menina, de uma família de quatro filhos, que faz planos de ser economista no futuro. Minha família me apoia bastante. Eles se esforçam para me trazer à escola, principalmente quando preciso estudar ou fazer uma consulta, já que não temos computador, continuou.

Para a seleção que irá às olimpíadas internacionais, Jucilene já passou por duas etapas on-line. Haverá outra prova eletrônica em dezembro e uma etapa presencial no início de 2019.

Maria Kleire e Jucilene Santos

Empoderamento
Com uma aula dinâmica, a professora de ciências de Jucilene, Maria Kleire, motiva os estudantes todos os anos a participarem de competições e a olharem para as ciências com outros olhos. A conquista de sua aluna é tida com fonte de inspiração para os outros colegas.

A conquista dela e de outros alunos representa muito, principalmente para a consciência de que estudar vale a pena. Há um empoderamento do aluno, ele ganha mais confiança, autoestima, acredita em seus potenciais, diz Kleire.

Outros medalhistas
A 21ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica foi realizada em maio deste ano. A avaliação teve dez perguntas em cada etapa: três de astronáutica e sete de astronomia. A maioria delas exigiu raciocínio lógico. A OBA é organizada pela Agência Espacial Brasileira, em colaboração com a Sociedade Astronômica Brasileira.

Ao todo, oito alunos do Colégio Municipal Didi Andrade conquistaram medalhas na OBA – duas medalhas de ouro, uma de prata e cinco de bronze -, sendo Jucilene chamada à seleção internacional por seu desempenho maior.