Dezoito presos em megaoperação das polícias em Monlevade e região

Dentre os presos na operação estão um microempresário e um advogado

Uma megaoperação envolvendo policias militares, civis e o Ministério Público de João Monlevade foi realizada nesta sexta-feira (9), em diversos bairros de João Monlevade e nas cidades de Rio Piracicaba, Bela Vista de Minas, São Gonçalo do Rio Abaixo e Barão de Cocais, cidades.

Ao todo foram presas 18 pessoas, sendo 17 homens e uma mulher, suspeitos de integrarem uma organização criminosa na prática do crime de tráfico de drogas. Entre os detidos estão um advogado, que foi preso durante uma abordagem policial em junho deste ano com cerca de um quilo de maconha e um microempresário.

 

Durante a operação denominada “Ressurreição” foram apreendidos cerca de 7 kg de drogas – seis deles só nesta sexta-feira -, entre 13 tabletes maconha, seis barras e várias buchas da mesma substância entorpecente, seis (6) barras da droga, sementes de maconha, dois invólucros de cocaína, duas pedras da droga e um com pasta base de cocaína, 61 pedras de crack, uma grande e outras três menores da mesma substância, quatro veículos utilizados por membros da organização criminosa, diversas munições de vários calibres, três armas de fogo, duas arma de pressão, uma réplica de arma de fogo, jóias, uma quantia de R$ 4.025,85, e 10 mil pesos mexicanos, 50 pesos colombianos e diversos outros petrechos utilizados na preparação de drogas.

Ao todo 140 policiais militares de João Monlevade, Ipatinga, Itabira, Ponte Nova e Coronel Fabriciano, participarão da operação.

 

As informações foram repassadas à imprensa durante uma coletiva realizada no Quartel da Polícia Militar no final da tarde. Participaram da entrevista o Tenente Coronel Fábio Barcelos, comandante da Polícia Militar na cidade, o subcomandante Capitão Felipe Gaigher, a Delegada da Polícia Civil Camila Batista Alves e o Promotor de Justiça Rodrigo Augusto Fragas de Almeida.

Segundo o capitão Felipe Gaigher foram oito meses de investigações coordenadas pelo Promotor Rodrigo Almeida. “O objetivo dessa operação foi desmantelar uma organização criminosa envolvida no crime de tráfico de drogas, que atuava em João Monlevade e na região. As prisões ocorreram após um ajuntado de elementos informativos que permitiram a expedição, por parte do Poder Judiciário, das medidas cautelares em desfavor dos envolvidos, associados às prisões em flagrante decorrente da operação por envolvimento com o crime de tráfico de drogas. A existência dessa organização criminosa está comprovada desde o início das investigações e está bem clara a ligação entre todos os envolvidos de maneira bem estável e hierarquizada e voltada ao tráfico de drogas. Não identificamos ainda um líder específico dessa organização, mas já temos algumas pessoas que a encabeçam”, disse o oficial.

Ainda segundo o capitão Felipe, na casa do advogado detido não foi cumprido mandado de busca e apreensão específico, por tanto não foi encontrado nenhum material ilícito com ele, sendo realizada a prisão através de um Mandado de Prisão.

O Promotor de Justiça, Rodrigo Almeida, disse que a operação teve inicio no mês de março e as investigações continuam até a conclusão do inquérito. “Foi determinada a prisão temporária de todos os envolvidos por 30 dias, podendo ser renovado por mais 30 dias. Já combinei com a Dra. Camila que hoje faríamos o interrogatório de todos os presos, mas que durante o decorrer da semana vamos dar continuidade às investigações. Essa operação foi apenas uma etapa dessa grande investigação que foi a etapa da busca, apreensão e de prisão, mas as investigações podem e vão continuar. Alguns atos ainda precisam ser desenvolvidos para que a delegada relate o inquérito policial, e assim eu possa concluir o meu procedimento. Hoje temos dois procedimentos que no futuro vão caminhar juntos, um inquérito policial da Polícia Civil e um do processo investigatório criminal do Ministério Público. No futuro eu vou juntar os dois e oferecer uma denúncia só ao Poder Judiciário em relação a todos os agentes”, pontuou o Promotor. Ele disse ainda que pretende encaminhar as denúncias ao Poder Judiciário antes do recesso, que ocorre no final do ano, para que não ocorra o excesso de prazo.

Operação sigilosa

O Promotor elogiou a forma sigilosa como foi montada a operação pela Polícia Militar. “Chegamos aqui por volta das 5h30 e não vimos nenhuma viatura na porta do Quartel, nenhum policial. Um fator importante porque poderia despertar a atenção das pessoas e chegar até os alvos”, disse. Ele lembrou também que nessa operação foram presos, não apenas aquelas pessoas que atuam na venda da direta da droga, mas aqueles que atuam em outras esferas do tráfico. “Entramos naquela esfera de pessoas que atuam em um nível social melhor, que tem uma entrada maior na sociedade, que mexe com uma quantidade maior de drogas. Não quero dizer que seja o maior traficante, aquele que traz drogas da Colômbia, mas aquele traficante um pouco mais estruturado, que pode fazer até mais mal à sociedade que um pequeno traficante, porque pode atingir mais pessoas”, ressaltou.

A Delegada Camila Alves disse que todos os presos foram ouvidos e autuados na delegacia da Polícia Civil e depois levados para os presídios. Os homens ao Presídio de João Monlevade e a mulher ao Presídio Feminino em Rio Piracicaba. “Todos os materiais apreendidos serão anexados ao inquérito policial e encaminhados a Ministério Público. É uma investigação que vai continuar e esperamos obter outros frutos decorrentes dessas investigações”, disse.

Camila Alves elogiou o comando da PM no policiamento ostensivo na cidade. “Queria ressaltar um ponto importante que é o gerenciamento da Polícia Militar. Independente da operação de hoje, o policiamento no cotidiano na cidade, que em minha opinião, tem sido um dos fatores importantes na redução da violência na cidade. A gente vê o excelente trabalho ostensivo da PM em toda a cidade”, ressaltou a delegada.

Harmonia entre instituições

O Tenente Coronel Fábio Barcelos ressaltou sobre a importante da participação da Polícia Civil e do Ministério Público para o sucesso da operação. “Eu lembrar a harmonia entre as instituições porque desde que cheguei aqui, percebi uma preocupação conjunta. Essa harmonia dá muito mais resultado na redução da violência. Graças a esse entrosamento, que temos com a Polícia Civil, o Ministério Público, através do Dr. Rodrigo, e da confiança do Poder Judiciário, e que podemos buscar ações e para retiramos alguns praticantes de crimes violentos das ruas. Uma vez retirados do meio social a população sente a sensação da redução da violência. Mais uma vez ressalto sobre a importância da população em denunciar através do 190 ou 181, porque as denúncias anônimas tem nos ajudado no combate aos mais diversos tipos de crimes na cidade. Porque ela – a população -, é que muitas às vezes denuncia um crime de tráfico próximo de sua residência e isso é fundamental para o nosso trabalho”, disse.

O nome da operação, segundo o Capitão Felipe, surgiu como forma de trazer a tona algo que há muito tempo não ocorria na cidade, esse trabalho conjunto entre as três instituições.

Fonte: Bell Silva/O Popular