Crise ameaça paralisar saúde pública em Minas

Municípios começam a reduzir atendimentos médicos em todo o Estado, mas gestores afirmam que metas foram cumpridas.

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O Sistema Único de Saúde (SUS) está ameaçado de parar em Minas Gerais, no próximo ano, por falta de dinheiro dos municípios. O alerta é do vice-presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems/MG), Hemógenes Vaneli, que participou, nesta quarta-feira (5/12/18), de audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A reunião teve por objetivo analisar relatório de gestores do SUS no Estado, relativo ao segundo quadrimestre deste ano.

Hemógenes Vaneli, que é secretário municipal de Saúde de Três Pontas (Sul de Minas), explicou que as prefeituras mineiras já não contam com nenhuma reserva financeira para assegurar a assistência pública de saúde a partir de 2019. Segundo ele, cirurgias eletivas já estão suspensas na maioria das cidades, serviços de urgência e emergência estão sendo realizados com a intervenção dos prefeitos e o desmonte dos serviços está se acelerando.

A crise na saúde pública foi admitida por todos os participantes da reunião e lamentada pelos parlamentares presentes, que também são médicos. O presidente da comissão, deputado Carlos Pimenta (PDT), afirmou que a maior parte dos hospitais estaduais está passando por muitas dificuldades financeiras e já começam a demitir profissionais. Segundo ele, só no Norte do Estado, há quatro meses, as instituições não recebem repasses do Executivo e os valores chegam a R$ 10 milhões.