Presos oito funcionários da Vale, um em Itabira

Um dos gerentes da Vale foi preso numa vila técnica, em Itabira.

Um dos gerentes foi preso numa vila técnica em Itabira. Todos os presos são investigados sobre o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão na cidade de Brumadinho (MG).

Até o momento são oito funcionários da Vale presos, na manhã desta sexta-feira (15), decorrente ao rompimento da barragem de Brumadinho. A operação aconteceu simultaneamente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, bem como na cidade de Itabira.

O Ministério Público visa “apurar a responsabilidade criminal pelo rompimento de barragens existentes na Mina Córrego do Feijão, mantida pela empresa Vale, na cidade de Brumadinho.”

De acordo com o MP, até o momento são oito presos funcionários da mineradora, quatro são gerentes – dois deles, executivos – e quatro integrantes de áreas técnicas, sendo eles: Joaquim Pedro de Toledo, Renzo Albieri Guimarães Carvalho, Cristina Heloíza da Silva Malheiros, Artur Bastos Ribeiro, Alexandre de Paula Campanha, Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo, Hélio Márcio Lopes da Cerqueira e Felipe Figueiredo Rocha.

A Policia Militar de Itabira deu apoio na prisão do Gerente em Itabira, que aconteceu na casa do mesmo numa Vila Técnica da cidade. O tenente-coronel Hudson Ferraz, comandante do 26º Batalhão da Polícia Militar, disse que a PM deu apoio na prisão em Itabira e ressaltou que a ação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual.

Em tempo – No depoimento à polícia, o engenheiro Makoto Namba, que trabalha para a TÜV SÜD, disse que se sentiu pressionado por um dos Gerentes a assinar o laudo de estabilidade da barragem de Brumadinho. “A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”, teria dito o Gerente.

Namba disse à PF ter respondido que a empresa assinaria o laudo se a Vale adotasse as recomendações indicadas na revisão periódica de junho de 2018, mas assinou o documento.

Ainda segundo Namba, que chegou a ser preso com outro funcionário da empresa e três da Vale em 29 de janeiro, “apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, o declarante sentiu a frase proferida pelo mesmo e descrita neste termo como uma maneira de pressionar o declarante e a TÜV SÜD a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato”.

Prisões

As primeiras informações são de que 12 mandados de busca e apreensão e oito de prisão contra funcionários da Vale.

Segundo as investigações um dos Gerentes teria pressionado os engenheiros para assinar o laudo que atestava estabilidade da barragem, que se rompeu em Brumadinho, sob o risco de perder o contrato.

Fonte: G1

Leia a nota do Ministério Público na íntegra:

“O Ministério Público do Estado de Minas Gerais, com apoio das Polícias Civil e Militar, deflagrou operação na manhã desta sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019, com o objetivo de cumprir mandados de busca e apreensão e mandados de prisão temporária, visando apurar responsabilidade criminal pelo rompimento de barragens existentes na Mina Córrego do Feijão, mantida pela empresa VALE, na cidade de Brumadinho.

O pedido formulado pelo Ministério Público Estadual foi feito por intermédio da Promotoria de Justiça da Comarca de Brumadinho, da Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios das Velhas e Paraopeba, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado GAECO e do Grupo Especial de Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público – GEPP, no âmbito de força-tarefa. A operação contou com o apoio das Polícias Militar e Civil do Estado de Minas Gerais e, ainda, com atuação dos Ministérios Públicos dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, por meio dos GAECOs daqueles estados, e teve como propósito o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão e de oito mandados de prisão temporária expedidos pelo Juízo da Comarca de Brumadinho.

Os oito investigados presos são funcionários da VALE, dentre eles, quatro gerentes (dois deles, executivos) e quatro integrantes das respectivas equipes técnicas. Todos são diretamente envolvidos na segurança e estabilidade da Barragem 1, rompida no dia 25/01/2019. As prisões temporárias foram decretadas pelo prazo de 30 dias, tendo em vista fundadas razões de autoria ou participação dos investigados na prática de centenas de crimes de homicídio qualificado, considerados hediondo. Todos os presos serão ouvidos pelo Ministério Público Estadual, em Belo Horizonte. Também são apurados crimes ambientais e de falsidade ideológica.

Foram, ainda, alvos de busca e apreensão, em São Paulo e Belo Horizonte, 4 funcionários (um diretor, um gerente e dois integrantes do corpo técnico) da empresa alemã TÜV SÜD, a qual prestou serviços para a VALE, referentes à estabilidade da barragem rompida. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na sede da empresa VALE, no Rio de Janeiro.

Os documentos e provas apreendidos serão encaminhados ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais para análise.”

As medidas estão amparadas em elementos concretos colhidos até o momento nas investigações.”

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Written by Átila Lemos