Campanha da Fraternidade: o povo de Deus que não cala!

“Mestre, repreende teus discípulos”. Ele, porém, respondeu: “Eu vos digo, se eles se calarem, as pedras gritarão” (Lc 19,39s)

Não foi aos gritos, mas com a alegria e seriedade de quem segue caminhando como povo de Deus, que as vozes ecoaram na manhã deste domingo, 10 de março.

A abertura oficial da Campanha da Fraternidade, na Região Pastoral I da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano, arrastou centenas de fiéis por uma das principais avenidas de Itabira. Nem o sol, que veio castigando, afugentou. Com sombrinhas, garrafinhas de água e muita disposição… esta porção do novo Israel seguiu.

Leonardo Ferreira

A concentração aconteceu no estacionamento do Hospital Nossa Senhora das Dores e foi animada pela turminha alto-astral do Movimento Jovem de Santa Maria de Itabira. Ainda no local, Leonardo Ferreira Reis, professor da Unifei e membro das Brigadas Populares, foi quem abriu o primeiro momento de reflexão: “Saúde pública: direito de todos, dever do Estado”.

Logo após, o público seguiu rumo à Praça Dr. Acrísio de Alvarenga, passando pela Av. Carlos Drummond de Andrade. O padre Paulo Marcony Duarte foi quem puxou a caminhada.

João Paulo

Em frente à delegacia, mais um momento reflexivo. Agora, com João Paulo Souza Júnior, tesoureiro do Conselho da Comunidade na Execução Criminal da Comarca de Itabira: “nos anos 90 participávamos mais da Igreja e as pessoas tinham mais controle; a violência era menor… Até quando vamos entender política como politicagem? Se nós participarmos da política, a política será melhor!”.

A terceira parada foi em frente ao prédio do Legislativo itabirano. A escolha do local não poderia ser mais adequada e sugestiva para a reflexão: “Não há direitos sem participação popular. Não há democracia sem direitos”.

Na Câmara Municipal, a participação popular é delegada, por meio do voto, aos vereadores que, na prática, deveriam legislar em função da organização e administração da cidade, visando o bem comum, sem distinção de cidadãos, com práticas que favoreçam, sobretudo, aqueles que notavelmente estão à margem dos processos sociais baseados na dignidade da pessoa humana. Aqui, a reflexão foi feita por membros do Observatório Social do Brasil, ativo em Itabira desde fevereiro de 2018. A entidade é um “espaço” apartidário e democrático que reúne representantes de vários segmentos da sociedade civil e empresarial.

Mariana Gomes

O último tema reflexivo foi sobre “Os bens da criação se vão, ficam a miséria e destruição. E agora José?” Mariana Gomes, da ACAO – Associação de Conservação Ambiental Orgânica –, foi quem discursou sobre o tema. Ainda sob o impacto da recente tragédia de Brumadinho, o assunto das “barragens” não pôde ser ignorado. Na terra berço da Vale, seria impossível esquecer quanto dos lucros da mineração está concentrado nas mãos de um pequeno grupo, enquanto a maior parte das populações de cidades mineradas estão a mercê de laudos técnicos e fiscalizações de órgãos públicos incapazes de garantir que desastres como os de Brumadinho e Mariana não aconteçam mais.

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano é amplo: “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). As discussões, ao longo da caminhada, abarcaram parte de um contexto que apresenta, inclusive, particularidades que variam de uma região à outra, bem como entre os próprios estados da federação.

O encerramento aconteceu na Praça Acrísio com a celebração da Santa Missa, presidida pelo Vigário Episcopal da Região Pastoral I, padre Flávio Assis, e concelebrada pelos padres que participaram da abertura da campanha.

Fonte: Ascom/Paroquia da Saúde 

Missa de Abertura da Campanha da Fraternidade: