Comissão orienta consumidores sobre abusos de bancos

Deputado defende que consumidores boicotem empresas e serviços financeiros ruins ou que cobrem preços e juros abusivos.

Foto: Luiz Santana/ALMG

O presidente da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Bartô (Novo), esteve no Centro de Belo Horizonte, na manhã desta sexta-feira (15/3/19), data em que se comemora o Dia Mundial do Consumidor, conversando com clientes de bancos e de financeiras.

O deputado quer que os consumidores aprendam a se proteger, sem tanta necessidade de leis ou regulações estatais. “O consumidor tem que entender que ele é o todo-poderoso, que ele é rei do mercado. Ele pode determinar quais empresas vão ficar abertas e quais serão fechadas. Basta escolher bem e boicotar aquelas que geram problema”, explica.

A ação da comissão começou em um quarteirão da Rua Espírito Santo que reúne diversas agências de bancos públicos e privados, além de pequenas financeiras que “laçam” as pessoas na calçada, oferecendo empréstimos, sem consulta ao SPC e Serasa.

Na opinião do deputado, as pessoas devem ficar atentas para não cair em ciladas e não podem esperar que somente o Estado as proteja. Para ele, formar essa consciência no consumidor é o novo desafio da comissão que ele preside.

O deputado Bartô acredita que o excesso de regulamentação, de normas e fiscalizações dificultam a entrada de novas empresas no mercado. “Se os juros estão altos, será que não é porque eu tenho poucos bancos para escolher, poucos bancos dominando o mercado?”, questiona o deputado. Segundo ele, a falta de concorrência é o que realmente mina o direito do consumidor. Ao Estado, na opinião dele, cabe apenas a função de punir exemplarmente as empresas que lesarem os consumidores.

Dinheiro vai do bolso de aposentado para time de futebol

Em frente ao Banco do Brasil, um senhor aposentado que não quis se identificar admitiu estar em situação difícil por ter contraído vários empréstimos a juros muito altos. “A Crefisa toma o meu dinheiro pra financiar o Palmeiras, e eu fico passando fome”, disse ele.

O gerente do Procon Assembleia, Gilberto Dias de Souza, que acompanhou a atividade da comissão, explicou que muitas instituições financeiras não respeitam a média de juros estabelecida pelo Banco Central, que fica entre 6 e 7% ao ano, para empréstimos pessoais. Para ele, todo cuidado é pouco, e a pessoa tem que procurar saber exatamente qual é o juro que será pago em determinado empréstimo.

A aposentada Irmeres Lopes Criscoto, que saía do Banco Santander, admitiu que já recorreu a empréstimos consignados na folha de pagamento, mesmo sabendo que a maioria prejudica ainda mais a saúde financeira do consumidor. “Empréstimo é um horror, você toma seis mil e paga seis milhões, descontado direto do seu salário. Mas, às vezes, a gente precisa, não tem jeito”, afirmou.

Bastante cauteloso, o guia turístico Marcos Rocha contou que pegou empréstimo bancário apenas uma vez, para comprar um carro, e deu um jeito de pagar antes do prazo previsto, para fugir dos juros. Ele garante que tem pavor de empréstimos, até porque conhece um monte de gente endividada, que perdeu totalmente a paz de viver.