Gerdau chama a polícia para jornalista em Barão de Cocais

O que era para ser apenas a cobertura de mais uma rodada de negociação do Acordo Coletivo (ACT) 2019/2020 entre a Gerdau e o Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmetal) na manhã de ontem (12) acabou virando caso de polícia. Incomodada com a presença do jornalista do Diário de Barão, a gerente de recursos humanos da empresa, Graziella Maso Nascimento, uma das responsáveis pela mesa de negociação sindical, interrompeu a reunião e chamou a Polícia Militar, na tentativa de intimidar a reportagem e impedir a divulgação dos resultados do encontro.

A presença da reportagem na reunião foi solicitada pelo presidente do Sindmetal, Lúcio Bonifácio Pastor “Lução”, que também é vereador pelo Avante. Desde a fundação do jornal, há seis anos, as reuniões dos acordos coletivos entre a Gerdau e o Sindmetal são constantemente divulgadas pelo veículo. Com a chegada da PM um boletim de ocorrência foi registrado e a rodada de negociação, que previa o debate da implantação de ponto alternativo na Gerdau, foi cancelada pelos representantes da empresa.

O relações trabalhistas da Gerdau, Maikel Luiz Ribeiro Kirsch, também acompanhava a reunião e compactuou com a gerente que chamou a PM para o jornalista. Também foram qualificados no BO, o engenheiro de produção José Geraldo Coelho e o técnico de recursos humanos e administrador, Marcos Gonçalves.

A atitude dos representantes da empresa pegou de surpresa o jornalista Guilherme Assis. Segundo ele, ao entrar na sala de reuniões, após pedir licença e se identificar, começou a registrar a rodada de negociação como de costume. A ação do jornalista imediatamente incomodou a gerente de RH da Gerdau, que em tom de irritação impediu a cobertura e acionou a PM.

Foto: Diário de Barão

“Fomos convidados pelo presidente do Sindmetal, o senhor Lúcio Pastor, para cobrir a reunião, como sempre aconteceu desde que abrimos o jornal aqui em Barão. Entrei na sala de reuniões de forma educada e tranquila e fui recebido de forma arrogante pelos representantes da empresa. A nossa intenção desde o início era apenas cobrir a rodada de negociação e informar a população os resultados do que seria decidido, no entanto, fomos pegos de surpresa com a gerente de RH acionando a polícia, como se estivéssemos fazendo algo errado”, relatou o jornalista.

No boletim de ocorrência, o presidente do Sindmetal, Lúcio Pastor, confirmou a declaração dada pelo jornalista e disse que informou a equipe do jornal sobre a reunião de ontem, com a intenção de dar publicidade aos fatos que seriam debatidos no encontro. Em seu relato à PM, registrado na ocorrência, o sindicalista afirmou que o jornalista Guilherme Assis não “invadiu a sala de reunião” e que a postura da gerente de recursos humanos, Graziella Nascimento, “foi encerrar de forma abrupta a reunião”.

Fonte: Felipe Jacome/Diário de Barão

Em tempo – O site Atilalemos repudia este tipo de atitude de chamar a Policia Militar “que poderia estar patrulhando a cidade para o combate de crimes e outros delitos, bem como manter a ordem pública”, para um jornalista em serviço em um caso tão simples de reunião de acordo coletivo. Ressaltamos ainda o apoio ao livre direito do trabalho da imprensa, em cobrir todos os fatos e mostrar para toda população o que acontece não somente em Barão de Cocais, mas em todo mundo.