Polícia Civil prende Colombianos acusados de agiotagem

A Policia Civil apura que mais de mil pessoas possam ter sido vítimas de agiotagem praticada por colombianos na cidade de João Monlevade (MG) e várias outras da região.

Uma célula criminosa, formada por colombianos, foi presa na última terça-feira (4) pela Polícia Civil de João Monlevade e o Ministério Público. Até o momento três homens foram presos, um deles apontado como gerente que comandava o esquema de agiotagem na região.

Com ele foi apreendida uma quantia aproximada de R$ 6 mil, uma moto, caderno com anotações da contabilidade e nome das vítimas (clientes), cartões de visitas, folders com anúncio dos serviços oferecidos, dentre outros objetos.

Cerca de mil pessoas foram vítimas do golpe nas cidades de João Monlevade, Nova Era, Coronel Fabriciano, Timóteo, São Domingos do Prata, Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo.

A informação foi repassada à imprensa no final da tarde desta quarta-feira (5) pelo delegado Regional Paulo Tavares Neto e a delegada adjunta Camila Batista Alves, ambos da 4ª Delegacia Regional da Polícia Civil.

Segundo Paulo Tavares, a investigação teve início com o Ministério Público na terça-feira da semana passada e entregue à Polícia Civil para efetuar as prisões e conduzir as investigações. Segundo ele o caso deve ser investigado também pela Polícia Federal.

A delegada Camila Alves disse que a prisão do suspeito apontado como “gerente” na região ocorreu no momento em que ele seguia para entregar uma quantia em dinheiro para mais uma das vítimas. Disse ainda que o chefe da quadrilha mora na Colômbia, o dinheiro usado para os empréstimos é fruto do tráfico de drogas naquele país e que o esquema de agiotagem era usado no Brasil para lavar o dinheiro para que pudesse voltar para a Colômbia, e ainda com lucro.

Segundo ela o esquema funcionava da seguinte forma: os criminosos, sempre de boa aparência, procuravam pequenos comerciantes e ofereciam dinheiro como forma de empréstimos a juros que chegavam a 20%. Era dado um prazo de até 30 dias para que as vítimas quitassem a dívida. Caso não fosse cumprido o acordo neste período, membros do grupo iam até a casa da vítima e retiravam de lá objetos de valor como móveis, eletrodomésticos e joias.

Ainda segundo a delegada Camila Alves, além do crime de agiotagem, extorsão, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, os detidos vão responder também pelo crime de trabalho análogo a escravidão. Isso porque, segundo a polícia, eles aliciavam colombianos no país de origem, sempre pessoas muito pobres. Eles pagavam os custos das passagens e os abrigavam em apartamentos alugados no Brasil. Eles eram forçados a trabalharem por longos períodos para cobrir esses custos e ainda retinham os passaportes dele, para impedir que deixassem o país.

O delegado Paulo Tavares disse que a quadrilha pode ser parte do grupo que foi preso no ano passado em Itabira que aplicavam o mesmo golpe.

Os nomes e nem as idades dos detidos foram divulgados pela polícia para não atrapalhar as investigações, que continuam. No entanto os delegados orientam as pessoas que possam ter sido vítimas do grupo que procurem a delegacia e se manifestem.

Fonte: Bell Silva/O Popular