MORO: Divulgação de conversas com Dallagnol foi ataque organizado por “grupo criminoso”

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, participa, nesta quarta-feira (19), de uma audiência na Comissão de Constituição, Justiça no Senado. O ministro foi questionado sobre as supostas mensagens trocadas entre ele e Deltan Dallagnol, procurador e chefe da Força-Tarefa que investiga a Lava Jato divulgadas pelo portal The Intercept. Em sua defesa o ministro considerou criminosa a invasão dos celulares, e vê o ato como uma tentativa de invalidar as condenações feitas por lavagem de dinheiro e corrupção.

Moro também fez questão de destacar que o ataque não foi ao acaso.

“Quem faz essas operações contra inteligência não é um adolescente com espinhas na frente do computador, mas sim um grupo criminoso estruturado”, afirmou o ministro.

Aos senadores, o ministro contou que entregou o aparelho invadido para a Polícia Federal para dar início às investigações, reafirmando que não teme o conteúdo que está no celular. Ele relatou como ocorreu o ataque.

“Em 4 de junho, por volta das 18 horas, o meu telefone celular sofreu um ataque. Foram três ligações com o meu número, número clonado. Pelo que apuramos não importa se você atende ou não. Depois dessas ligações me mandaram uma mensagem perguntando se eu tinha utilizado o Telegram. O que aconteceu? A pessoa clonou o meu celular, realizou esses telefonemas. Através disso obteve um código, e com este código a pessoa abriu uma conta em meu nome no Telegram”, detalhou Moro.

Em sua defesa, citou os pedidos que negou dos procuradores para argumentar de que não uma total convergência entre o poder Judiciário e o Ministério Público Federal.

Em 9 de junho, o The Intercept Brasil tornou público diálogos privados entre membros do Ministério Público Federal e o então juiz Sergio Moro. Segundo a site, Moro teria sugerido a troca da ordem de fases da Lava Jato e dado conselhos e pistas sobre investigações.

As suspeitas são de que as mensagens teriam sido acessadas por um ataque hacker a celulares e aplicativos de mensagens. O Intercept, porém, nega que o caso tenha envolvimento com a notícia da invasão de dados dos celulares do ministro Moro.

Raphael Costa