ALMG e promotora vão apoiar criação de rede de neurologia

Proposta foi apresentada por associação de apoio a pessoas com esclerose múltipla e busca garantir diagnósticos rápidos.

Os participantes de audiência pública para debater gargalos no tratamento da esclerose múltipla, saíram da reunião com a promessa de um inquérito civil com o objetivo de provocar o Poder Executivo a montar uma rede estadual de neurologia.

Durante o encontro, realizado pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a necessidade de uma rede estruturada foi colocada como essencial para garantir o diagnóstico rápido da doença.

Classificada como uma das enfermidades do grupo de doenças autoimunes, a esclerose múltipla se caracteriza por inflamações no cérebro e na medula espinhal que podem levar a limitações motoras ou até cognitivas irreversíveis. Quem explicou foi o chefe do serviço de neurologia da Santa de Casa de Belo Horizonte, Antônio Pereira Gomes Neto. Segundo ele, o hospital atende cerca de 500 pacientes com esse diagnóstico atualmente.

É, ainda de acordo com o médico, entre os 15 e 45 anos que surgem os sintomas na maioria dos pacientes. Identificar a doença imediatamente pode ser determinante, também segundo Antônio Neto, para evitar seu avanço e garantir melhor qualidade de vida às pessoas que apresentam o quadro.

O problema, segundo ele, é que os sintomas – que incluem, por exemplo, vertigens e formigamentos que vão e voltam – são muitas vezes diagnosticados como estresse ou outros problemas psicológicos.

Esse é, segundo o especialista, o grande gargalo para o tratamento da esclerose múltipla. “O tratamento oferecido nos dois ou três primeiros anos da doença é determinante para garantir qualidade de vida aos pacientes depois de dez ou vinte anos”, afirmou.

Assim, o neurologista defendeu, junto com a presidente da Associação Mineira de Apoio aos Portadores de Esclerose Múltipla (Amapem), Aline Pacheco, a criação dessa rede que pode dar suporte à descoberta da enfermidade desde os atendimentos da atenção primária na saúde.

Proposta de criação de rede foi discutida por especialistas mineiros

Conforme explicado por Aline Pacheco, o modelo da rede proposto foi desenhado por especialistas das cinco macroregiões da saúde de Minas Gerais em um encontro realizado em fevereiro deste ano. Além de treinamento para os clínicos gerais, em especial os que atendem em municípios que não contam com neurologistas, o plano prevê um fluxo para adequado encaminhamento dos pacientes.

De acordo com a presidente da Amapem, a proposta já foi entregue ao Poder Executivo e não prevê a contratação de novos profissionais ou a construção de centros de referência, mas apenas a organização da rede.

Foi para pedir apoio da ALMG para impulsionar essa rede que a Amapem procurou o deputado Osvaldo Lopes (PSD) e ele, por sua vez, pediu a realização da audiência pública realizada nesta quarta-feira (7). Além dele, o presidente da comissão de saúde, deputado Carlos Pimenta (PDT), também apoiou a proposta.

Mas foi da promotora Josely Ramos Pontes que saiu a promessa que mais animou os presentes: a proposição de um inquérito civil.

Membro da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde, Josely Pontes disse que já usou essa estratégia de forma eficiente para criar uma rede oftalmológica no Estado. Assim, ela quer repetir o feito para a área da neurologia de forma a facilitar o diagnóstico e o tratamento não só da esclerose múltipla, mas de todas as doenças neurológicas.

Ela também se comprometeu a provocar o Poder Executivo para criar um protocolo capaz de garantir que novos medicamentos para a enfermidade possam ser fornecidos pelo governo estadual diante de um laudo de algum médico de referência. A sugestão foi do neurologista, que disse que esse modelo já é utilizado com sucesso em estados como Pernambuco.

Demandas – Aline Pacheco, da Amapem, disse que existem outras demandas, como a conscientização da população e de servidores públicos para que as pessoas com esclerose múltipla sejam devidamente atendidas quando, por exemplo, tentam tirar carteiras de motorista para deficientes.

Segundo ela, como os pacientes são, em geral, jovens e mulheres (três vezes mais acometidas pela enfermidade que homens), não é dado a elas crédito quando dizem que estão com alguma limitação física. Mas, para ela, esse deve ser um passo posterior. “Primeiro precisamos garantir que todas as pessoas com esclerose múltipla sejam devidamente diagnosticada para serem tratadas”, afirmou.

Fonte: ALMG