Julgamento cancelado: testemunhas e vítima são levadas para delegacia

O Fórum Milton Campos, em João Monlevade, esteve movimentado na manhã desta segunda-feira (12). Dezenas de pessoas lotaram o salão de audiências.

Na pauta, o julgamento do primeiro caso de tentativa de feminicídio da cidade, onde um homem teria agredido a companheira violentamente no ano passado.

Rodrigo Braga Ramos, Juiz de Direito

A sessão do júri popular foi presidida pelo Juiz de direito Rodrigo Braga Ramos, o promotor Rodrigo Fragas de Almeida e o defensor público Marcelo Tadeu de Oliveira e deve durar cerca de 4 horas.

O júri foi formado por seis mulheres e um homem.

Durante o julgamento, surpreendentemente, a vítima, de 40 anos, inocentou o acusado, de 27 anos, durante todo o seu depoimento. Ela disse que o “namorado” é inocente e que não a agrediu. A mulher também afirmou que mantém um relacionamento com o homem e que inclusive faz visitas constantes a ele no presídio.

A tentativa de feminicídio foi registrada em 8 de março de 2018. A mulher ficou internada no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, por conta de machucados diversos pelo corpo. Perante o juiz, a vítima alegou que tinha caído por estar embriagada. “Faço tratamento de depressão e ele [o acusado] sempre me ajudava com palavras boas. Até hoje, quando vou visitá-lo, ele me anima e me põe pra cima. Não tem como falar que esse rapaz me faz mal. Não vejo a hora de viver com ele em paz”, disse à vítima que afirmou que gostaria que o caso fosse arquivado.

A irmã da mulher também foi ouvida como testemunha do caso e relatou que a vítima sofria agressões por parte do namorado. Ela também pontuou ter medo do réu devido ele já ter envolvimento em furtos e histórico de agressões.

Durante o julgamento a vítima teria coagido uma testemunha e a sessão do júri foi interrompida. O promotor do caso, Rodrigo Fragas, pediu a dissolução do conselho de sentença e várias pessoas foram ouvidas na sala de audiência.

Uma testemunha do processo foi quem denunciou a atitude da vítima. Antes de coagir o envolvido na ação, a mulher já teria dito ao juiz Rodrigo Braga que gostaria que o caso fosse encerrado.

A mulher nunca denunciou o réu por agressões e disse que os machucados que levaram à formulação do processo foram ocasionados por quedas. Os tombos, segundo a vítima, seriam justificados pelo uso de remédios controlados e bebida alcoólica.

Vítima e testemunhas de um caso de tentativa de feminicídio que era julgado no Fórum de João Monlevade, nessa manhã (12), foram parar na delegacia. O desfecho incomum ocorreu depois que a vítima foi flagrada conversando intimamente com uma das testemunhas.

O promotor do caso, Rodrigo Fraga, foi quem viu a situação. Com isso, o julgamento foi suspenso. Vítima e testemunhas foram levadas para a Delegacia de Polícia Civil para prestarem esclarecimentos. Um inquérito para apurar uma possível coação deve ser aberto.

Fonte: Bell Silva/O Popular