Projeto de Itabira entre 10 iniciativas consideradas soluções com impacto sociambiental positivo

Eles foram escolhidos em uma seleção nacional realizada pelo GT Agenda 2003 e vão representar estado em exposição de ideias inovadoras, nesta quinta, em SP.

Projeto de profissionalização de meninas e mulheres que vivem na linha de exclusão em Itabira, o Costurando Vidas e o Circuitos de Comercialização Agroecológica, sistema de circulação de produtos entre redes de agricultores familiares e consumidores que funciona em Minas Gerais, foram escolhidos para compor a lista das 10 ideias inovadoras desenvolvidas no Brasil que produzem importante impacto socioambiental positivo. A seleção é do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, o GT Agenda 2030,que avaliou os trabalhos desenvolvidos em várias regiões do país após uma chamada pública que recebeu inscrições de todo o território nacional. A banca examinadora contou com a curadoria da REBRAPD – Rede Brasileira de População e Desenvolvimento, Casa Fluminense, Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), ONG Gestos/PE, Plan International Brasil, Bemtevi – Investimento Social e Instituto C&A.

Como prêmio as duas inciativas serão levadas para uma exposição, em São Paulo, que faz parte do 1º Seminário de Soluções Inovadoras, marcado para o próximo dia 8 de agosto. A exposição servirá para conectar os projetos selecionados a uma rede formada por investidores, fundações privadas, gestores/as públicos e, também, pessoas interessadas em fomentar soluções com alto potencial de melhoria das políticas públicas.

Promovido pelo GT Agenda 2030 e organizado pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), o 1º Seminário de Soluções Inovadoras vai acontecer no B_arco Centro Cultural, que fica na Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, nº426, em Pinheiros, das 13h às 18h. A participação é gratuita e os interessados devem se cadastrar previamente através do site https://www.sympla.com.br/i-seminario-solucoes-inovadoras-do-gt-agenda-2030__576532.

“São as soluções inovadoras que nos permitem enxergar para além dos problemas e imaginar um novo futuro possível. Não é fácil ver o horizonte quando estamos nos afogando. Alterar o modelo de produção e desenvolvimento vigente para um modelo de desenvolvimento sustentável exige um esforço coletivo e coordenado entre os diferentes setores da nossa sociedade”, afirma Carolina Mattar, coordenadora do IDS e uma das responsáveis pelo evento.

Entre os critérios que definiram os projetos escolhidos estavam a necessidade de a ideia inovadora contribuir para o alcance de um ou mais Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), poder ser replicada em larga escala e ter como protagonistas ou principais beneficiárias mulheres, principalmente negras, indígenas e quilombolas.

Por meio da capacitação de suas integrantes em costura, bordado e artesanato sustentável, o Costurando Vidas tem trabalhado pela conquista da igualdade de gênero, profissionalizando suas integrantes. Comunicação social, gastronomia, artes visuais e artes integradas também fazem parte do currículo, do projeto de Itabira.

Já o Circuitos de Comercialização Agroecológica, é um trabalho para o fortalecimento da agricultura familiar, com a construção de uma rede que interliga quem produz e quem consome.  O projeto contribui para a segurança alimentar, a proteção da sociobiodiversidade, a prática de agricultura sustentável, a autonomia do agricultor familiar e a geração de renda no campo. Além de Minas, ele tem núcleos em outros cinco estados da Rede Ecovida (RS, SC, PR, SP e BA), abrangendo cerca de 352 municípios e cerca de 4.500 famílias envolvidas.

Segundo Carolina Mattar, “o Brasil possui múltiplas soluções potentes para desafios extremamente complexos sendo produzidas localmente, que, uma vez apoiadas pelo poder público e por investidores, podem ganhar escala e contribuir enormemente para atingirmos os ODS, cumprirmos a Agenda 2030 e assim alcançarmos uma sociedade, não apenas sustentável, mas também mais justa e menos desigual”.

Também foram selecionados os projetos Arquitetas em Casa, da Ilha do Maranhão, na Região Metropolitana de São Luís (MA); Sistema Rac/Saf, de reutilização de águas cinzas do semiárido pernambucano; o Redes de Produção Agroecológica Solidária, de agricultura familiar e pesca artesanal do Território do Baixo Tocantins, no Pará; o  Mãostiqueiras, programa de reaproveitamento de lã de ovelha em Campos do Jordão (SP); o Teia da Sustentabilidade, de Icapuí (CE); o Aqualuz, que criou um dispositivo que utiliza luz solar para tornar potável água de cisternas (BA, CE, AL e PE); o Plantando Jardins Filtrantes e Água Boa que abrange os municípios de Cotia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, com a questão do esgoto e o Centro de Referência Indígena Ikolen e Karo, de Rondônia.