Obra da Vale em barragem com nível de alerta será auditada

Ministério Público firmou acordo referente a intervenções em Barão de Cocais e, em breve, deve concluir o de Macacos.

Uma auditoria de empresa externa em obras emergenciais realizadas pela Vale na barragem de Gongo Soco, em Barão de Cocais (Região Central), foi acordada pelo Ministério Público e a mineradora. As atividades já se iniciaram. Nos próximos dias, também deverá ser concluído acordo para auditoria em relação à barragem B3/B4, no distrito de São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Essas iniciativas são uma demanda das populações locais.

A informação foi divulgada pelo promotor de Justiça membro da força-tarefa que se dedica aos casos de Brumadinho (RMBH), Barão de Cocais e Macacos, Luís Gustavo Patuzzi Bortoncello, em reunião da Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (14/8/19).

Luís Gustavo Patuzzi Bortoncello (promotor de justiça, coordenador regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios Jequitinhonha e Mucuri), Guilherme da Cunha (deputado estadual Novo/MG), João Vítor Xavier (deputado estadual Cidadania/MG), Alice Libânia Santana Dias (diretora de gestão de resíduos da Fundação Estadual do Meio Ambiente), Júlio César Dutra Grillo (ex-superintendente do Ibama, e representante da Associação ProMutuca), Maria Teresa Viana de Freitas Corujo (representante do Movimento Pela Preservação da Serra do Gandarela – Movimento Pelas Serras e Águas de Minas), Lilian Miranda Costa (representante da Comunidade de Macacos/Fotos: Guilherme Dardanham/ALMG

Ele explicou que a Vale realiza uma série de obras emergenciais nessas comunidades para contenção das estruturas, caso seja necessário, com respaldo legal e que, dada a urgência, não é exigida licença prévia. Como contou em entrevista, são intervenções de grande impacto sócio-ambiental e que, por isso, é necessário avaliar a necessidade e a efetividade dessas obras.

Em fevereiro e março, moradores de áreas possivelmente atingidas pelo iminente rompimento das barragens Gongo Soco e B3/B4 foram retirados de suas casas. Desde então, eles têm relatado desconhecer o andamento do descomissionamento dessas estruturas, ou seja, do seu esvaziamento e da sua reintegração ao ambiente, bem como os critérios para as intervenções nas localidades.

A Vale foi convidada a participar da reunião desta quarta para trazer os esclarecimentos, mas nenhum representante compareceu. Nota encaminhada pela mineradora à ALMG e lida na audiência salientou que funcionários escalados para a atividade estavam em compromisso no exterior. O fato gerou a indignação dos participantes da audiência.

Moradores das comunidades relatam desconfiança com ações da Vale.