Debate sobre acessibilidade no Mineirão gera campanha

Fotos: Willian Dias/ALMG

Integrantes da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência visitaram o estádio e discutiram melhorias.

Fotos: Willian Dias/ALMG

Uma campanha de conscientização dos frequentadores do estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, é o primeiro resultado das interlocuções entre pessoas com deficiência, parlamentares estaduais e representantes da empresa Minas Arena, que administra o estádio. Os debates sobre acessibilidade no Mineirão vêm sendo conduzidos pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que realizou visita ao estádio nesta quinta-feira (12/9/19).

Os parlamentares conheceram o trajeto que é percorrido pelas pessoas com deficiência, em especial pelos cadeirantes, durante os jogos e eventos. Também verificaram os lugares reservados para esses usuários no nível Esplanada Leste. Depois disso, participaram de um encontro promovido pela Minas Arena, intitulado “Mineirão Aberto”, para receber e discutir propostas de acessibilidade no estádio.

Durante a abertura do evento, o diretor do Mineirão, Samuel Lloyd, anunciou uma campanha educativa que, segundo ele, já é resultado de uma audiência pública realizada pela Assembleia, sobre o tema, em 27 de agosto deste ano.

A campanha visa corrigir um dos problemas apontados naquela reunião: torcedores acompanham as partidas em pé, muitas vezes sobre as cadeiras, impedindo a visão daqueles que estão em cadeiras de rodas.

“Assistir ao jogo com barreira não dá.” Peças de campanha com esse recado e a imagem de uma barreira humana em tamanho natural serão exibidos nas arquibancadas, antes das partidas, a fim de sensibilizar os torcedores.

Diversas pessoas com mobilidade reduzida e em cadeiras de rodas acompanharam a visita e participaram do debate. Os deputados Professor Cleiton (PSB) e Zé Guilherme (PRP) endossaram a reivindicação desses participantes para que, além da campanha, se reforce a fiscalização a fim de corrigir os torcedores que insistem em permanecer em pé. Usuário de cadeira de rodas, Jucelmário Prates relatou que frequentemente as pessoas com deficiência se sentem intimidadas ou ameaçadas pela atitude desses torcedores.

Outra queixa apresentada por alguns dos participantes da visita foi com relação a detalhes técnicos das rampas de acessibilidade. Usuário de cadeira de rodas e representante da Associação Mais Acessível, Warley Fernando Barbosa disse que as rampas são mais inclinadas do que deveriam, segundo a norma técnica. Além disso, segundo ele, a distância entre os corrimões laterais é muito grande, impedindo que sejam utilizadas para frear a cadeira.

Foram também muito repetidas durante a visita as queixas com relação à indisponibilidade de ingressos para pessoas com deficiência, que se esgotariam muito rapidamente.

Atendimento prioritário a autistas é discutido

Durante o debate, o deputado Professor Cleiton sugeriu que o Mineirão fosse pioneiro na implantação de procedimentos para receber pessoas com autismo. Sua proposta é que o estádio crie postos sinalizados, a partir dos quais haveria um atendimento prioritário para as pessoas com autismo e seus acompanhantes.

O diretor do Mineirão, Samuel Lloyd, aceitou a proposta, condicionando sua implantação à realização de estudos e testes. “O desafio está aceito”, afirmou Lloyd, sugerindo que os preparativos para sua implantação fossem realizados em conjunto com entidades representativas desse segmento social. Os parlamentares afirmaram que a Assembleia poderia intermediar o contato com essas entidades.

O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, deputado Professor Wendel Mesquita (SD), elogiou a receptividade da Minas Arena às propostas apresentadas e garantiu que o papel da Assembleia é agregar esforços para melhorar as condições de acessibilidade.

Professor Wendel acrescentou que a comissão analisará a legislação para verificar divergências que surgiram no debate sobre o número de cadeiras reservadas às pessoas com deficiência. De acordo com a direção da Minas Arena, o estádio apresenta 629 assentos para pessoas com deficiência e 603 para seus acompanhantes, o que seria suficiente para atender as exigências legais.

Um dos participantes da visita, o empresário Christiano Rocco Carneiro, considera que a reserva de assentos do Mineirão não atende a cota determinada pelo Decreto federal 5.296, de 2004. O assessor jurídico da Minas Arena, Alfredo Neves, afirmou que existe uma norma específica para os estádios construídos ou reformados para a Copa do Mundo de 2018, o Decreto federal 7.783, de 2012.

O deputado Coronel Henrique (PSL), que também participou da visita ao Mineirão, destacou a importância de se ouvir a Polícia Militar na definição dos procedimentos para recepção dos torcedores em geral. Ele elogiou a presença da corporação no debate realizado nesta quinta.

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