Garoto de 6 anos cria “bicimáquina” e ensina outras crianças a pedalar sem rodinha

O projeto nasceu da dificuldade de Samuel de pedalar sozinho e já é um sucesso entre as crianças da sua escola.

Um garotinho de seis anos é o autor de um projeto que pode beneficiar muitas crianças que têm medo de andar de bicicleta. A “Bicimáquina”, também conhecida como “BikeSamu”, ajudou Samuel Itaboray Discacciati, de seis anos, a realizar seu próprio sonho: andar de bicicleta sem rodinhas. A maioria das pessoas sabe o quanto é difícil aprender a dominar uma bicicleta, ainda mais sendo tão pequeno, e o projeto reúne simplicidade, criatividade, baixo custo e pode ser replicado de forma fácil.

A ideia nasceu a partir do projeto de tutoria da escola onde Samuel estuda, a Interpares Educação Infantil, em Curitiba. “Esse projeto permite que cada aluno escolha um tema a ser estudado, pesquisado, desbravado por ele, a partir de seus próprios interesses e curiosidades. O Samuel começou interessado em aprender a andar de bicicleta sem rodinhas, mas aí partiu para algo mais ousado: criar uma máquina para ajudar outras crianças a conseguirem isso também”, conta Dayse Campos, diretora da escola e tutora do aluno no projeto.

“Pesquisando, descobri que para andar de bicicleta sem rodinhas é preciso, acima de tudo, força, equilíbrio e coragem. Por isso a Bicimáquina foi pensada para que as crianças possam treinar essas três coisas”, conta Samuel, que é aluno do pré III. A “máquina de pedalar” pode ser utilizada por crianças a partir de três anos. Consiste em uma estrutura de madeira – com hastes que garantem a estabilidade dos pequenos usuários – onde a bicicleta é colocada de forma suspensa e a criança exercita o pedalar considerando o peso natural dos pedais e a velocidade necessária para embalar e alcançar o equilíbrio.

“Além disso, enquanto pedala na Bicimáquina, a criança também desenvolve a coragem necessária para dar esse passo importante na infância. Ela já começa a se preparar emocionalmente para o grande momento de abandonar as rodinhas. É o início da um ritual de passagem”, complementa Dayse. O desenvolvimento do projeto teve auxílio do marceneiro José Carlos Nogarotto. “Foi um processo muito especial de aprendizagem. Foi incrível extrair essa ideia da cabecinha do Samuel, ajudá-lo a colocar no papel e vê-lo acompanhar e supervisionar a transformação desse sonho em realidade. Ele participou de todo o processo de perto, testando em primeira mão o projeto, com a ajuda do irmão caçula, para quem andar de bicicleta sem rodinhas ainda é um sonho a ser perseguido”, relata a diretora. “Agora meus amigos da escola fazem fila para usar a BikeSamu e o medo de andar de bicicleta vai ficando para trás”, finaliza Samuel.

Fonte: AGÊNCIA SOUK