Genilson Ribeiro Zeferino (secretário municipal de Segurança e Prevenção), Rodrigo Sérgio Prates (comandante do Comando da Guarda Municipal de Belo Horizonte), Marina Pacheco Simião (subsecretária da Subsecretaria de Turismo da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo), Professor Wendel Mesquita (deputado estadual Solidariedade/MG), Bosco (deputado estadual Avante/MG), Mauro Tramonte (deputado estadual Republicanos/MG), Sérgio José Ferreira (Cel. CBMMG), Gilberto César Carvalho de Castro (diretor-presidente da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte), João José Magalhães Soares (gerente da Saúde e Segurança do Trabalho da CEMIG), Rafael Coura Cavalcante (chefe da Seção de Comunicação Organizacional da PMMG). Fotos: Willian Dias/ALMG

BH está pronta para o Carnaval 2020

Blocos e escolas, porém, cobram maior apoio e um olhar da cultura sobre essa manifestação, que vai além da festa.

A Capital mineira está preparada para receber os milhares de foliões aguardados para o Carnaval deste ano. A garantia vem não apenas da Belotur, responsável pela organização do evento, mas de representantes das forças militares e da Cemig, que estiveram na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta quarta-feira (12/2/20).

A audiência foi realizada pela Comissão de Cultura e contou também com lideranças dos blocos e das escolas de samba. Mesmo reconhecendo o avanço do Carnaval em Belo Horizonte e o esforço da organização, eles cobraram apoio ao longo de todo o ano e um olhar com viés cultural para a manifestação, que teria sido renovada na Capital justamente por esses artistas populares.

O diretor-presidente da Belotur, Gilberto de Castro, deu um panorama geral do evento, que terá oito palcos, sendo quatro em comunidades da periferia ou próximo delas, 450 blocos e 520 desfiles. Também anunciou três postos médicos avançados na rua e mais de 200 profissionais de saúde, com protocolo para eventuais casos de corona vírus.

Gilberto falou, ainda, sobre as mais de 670 reuniões de preparação e sobre a ampliação do patrocínio privado, que era de R$ 1 milhão no início da atual gestão municipal e chegou a mais de R$ 14 milhões neste ano.

“Em 2017, tínhamos R$ 50 mil para escolas de samba. Neste ano, temos R$ 200 mil. O edital de fomento foi de R$ 850 mil, com crescimento de 42%. Mas precisamos mais”, reforço Gilberto, lembrando o orçamento de outras capitais, como Salvador (R$ 40 milhões), Rio de Janeiro (R$ 28 milhões) ou São Paulo (R$ 21, 7 milhões).Segurança será reforçada com 9 mil militares do interior

Na área de segurança, Guarda Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Cemig expuseram suas ações. A Capital terá 9 mil policiais militares a mais no período do Carnaval,triplicando o efetivo rotineiro de 4,5 mil servidores. Eles virão de cidades que não fazem eventos de Carnaval. Outros 2.048 guardas municipais também estarão atuando.

Pelo menos 1.800 câmeras serão monitoradas, e as autoridades já realizaram ensaios com as forças de segurança para o caso de chuvas. A Cemig também antecipou inspeções onde blocos e trios desfilarão e realizou podas de árvores e substituições de postes, entre outras ações. A empresa funcionará com estrutura de dia útil e terá equipes específicas nos blocos com previsão de maior público.

O Corpo de Bombeiros também terá viaturas em pontos-chave e faz, neste sábado (16), um evento de teste com o bloco @bsurda, que deve reunir 50 mil foliões. O diretor-presidente da Belotur destacou que o Carnaval de BH é bem avaliado quanto à sensação de segurança, com nota 8 de turistas e 7,8 de moradores, na escala que vai até dez.

Manifestação é cultural, reforçam atores do Carnaval

Uma queixa comum apresentada pelos chamados atores do Carnaval – dirigentes de blocos e escolas – é que essa manifestação, embora tenha ressurgido nos últimos anos pela atuação dos próprios artistas, hoje é encarada apenas como um evento ligado ao turismo, sem o olhar específico da cultura e sem o apoio necessário.

Kerison Lopes cobrou a valorização dos artistas do Carnaval

Kerison Lopes, presidente da Liga Santa dos Blocos de Rua de Santa Tereza, destacou que o Carnaval de BH pode até mesmo entrar em decadência se não houver uma correção de rumos. “Trata-se de um movimento cultural contínuo. No meu bloco, os 156 membros da bateria ensaiam desde julho, sem apoio, sem espaço. Estamos fazendo vaquinha virtual para desfilar”, afirmou.

Para ele, além da Prefeitura e do Estado, que recebem impostos sobre o montante gerado pela folia, quem ganha são empresários de ramos como restaurante e hotelaria. “Um ambulante ganha mais que um artista no Carnaval”, comparou.

“Os verdadeiros atores, que fazem a cultura de Carnaval de forma permanente, continuam invisibilizados nessa grande estrutura. O dinheiro não chega aos blocos afro e de favelas. A Belotur não tem essa especialização e a Secretaria de Cultura não discute”, acrescentou Agnaldo Müller, presidente da Associação dos Blocos Afro de Minas Gerais.

Segundo ele, esses blocos não conseguem arcar com a estrutura que hoje é exigida para o cadastramento e ainda sofrem com a repressão e a “truculência” de policiais. “Que a abordagem truculenta vista no Rio de Janeiro não aconteça aqui”, pediu também George Cardoso, presidente da Liga Belorizontinha de Blocos de Rua.

O presidente da Liga das Escolas de Samba de Belo Horizonte, Márcio Eustáquio de Souza, foi outro que pediu diálogo com a cultura e que as nuances típicas dessa área sejam consideradas. Ele cobrou, ainda, uma presença maior do Governo do Estado e, após sugerir algumas medidas como rubrica específica na lei de incentivo à cultura, recebeu o apoio da subsecretária de Estado de Turismo, Marina Simião, para a discussão das sugestões.

O Executivo, segundo Marina, está trabalhando para divulgar o Carnaval de BH e do interior e em campanha para proteção do patrimônio histórico. Gilberto, da Belotur, salientou que os maiores carnavais do País são geridos pela área de turismo, destacou o enfoque de igualdade racial do Carnaval de BH e pontuou que a Cultura participa das discussões.

Deputados salientam importância do debate

O deputado Mauro Tramonte (Republicanos), autor do requerimento para a audiência, considerou que o encontro cumpriu a função de dar voz aos atores do Carnaval, de aparar arestas e de dar tranquilidade aos foliões. “Essa é uma manifestação cultural com reflexos na economia. É preciso que seja segura”, reforçou.

Ele lembrou que, em novembro de 2019, a Comissão Extraordinária de Turismo e Gastronomia realizou audiência sobre questões relativas ao Carnaval de Belo Horizonte, mas várias dúvidas não foram respondidas naquela ocasião.

O presidente da Comissão de Cultura, deputado Bosco (Avante), também pontuou a oportunidade do debate, já que o Carnaval é parte da história do Brasil e vai além do aspecto cultural, gerando emprego e renda. Também o deputado Professor Wendel Mesquita (Solidariedade) afirmou que, apesar das dificuldades, a cada ano o Carnaval de BH tem resultados positivos.