Metabase/divulgação

Por PLR justa, Metabase para Vale novamente

A manifestação impediu cerca de 1.000 trabalhadores do turno de entrarem na empresa. Um diretor da instituição foi detido e liberado. De acordo o presidente do Metabase, a reunião com a Vale será no próximo dia 20.

A manhã desta segunda-feira (17) foi tensa nas portarias das minas da empresa Vale. De prontidão desde as 4 da manhã, diretores do Sindicato Metabase Itabira se mobilizaram para a paralisação de todos os ônibus que conduziam os trabalhadores da empresa e distribuição de boletim com informações das ações realizadas pelo sindicato.A paralisação durou cerca de uma hora e parou a produção da empresa pelo mesmo tempo. “São atitudes que não queremos que aconteça, mas infelizmente é somente assim para a empresa respeitar o trabalhador!”, disse André Viana, presidente do sindicato Metabase Itabira, o maior da região.

André comandou a manifestação da portaria da Mina Cauê, onde cerca de 25 ônibus estavam parados com 750 trabalhadores do turno e setor administrativo. A ação também aconteceu nas portarias das minas Periquito e Conceição. Estima-se que cerca de 1000 trabalhadores foram envolvidos na manifestação.

“Tá certo, o sindicato tem que fazer isso mesmo”, gritava um trabalhador pela janela do ônibus. André Viana explicou o motivo da manifestação: “A participação nos lucros e resultados da empresa (PLR) é um direito do trabalhador. É o resultado do esforço de um ano para que a empresa consiga atingir suas metas e mais, bater recordes em produção e lucros. O trabalhador tem feito a parte dele. As unidades de Itabira e Carajás foram as únicas que continuaram produzindo intensamente, mesmo após o crime socioambiental de Brumadinho. Os trabalhadores carregaram a produção nas costas, já que diversas minas paralisaram a produção, como em Brumadinho, Nova Lima e Barão de Cocais”. Desabafou o sindicalista.

Ainda de acordo com André, esse movimento é apenas a ponta das manifestações. “A Vale está acostumada com gestões passadas que comiam e bebiam na mão dela. Estamos aqui para fazer a diferença e temos feito. A aprovação nas minas de nossas ações são a prova maior disso que estou falando. Não vamos desistir, se a Vale quer resistência, vai ter”. Ainda de acordo com o presidente “…é hora de sair das redes sociais, Whatsapp e ir para a luta: “Nós produzimos, nós merecemos”, disse André Viana.

Sobre a troca da gerência das minas, Carlos Estevam Gonzaga, vice-presidente da instituição, que coordenou a paralisação da mina Conceição, questionou: “Está chegando em Itabira o senhor Daniel Daher. Ele será o número 1 da Vale em Itabira. A pergunta é: o chefão é novo e as práticas, serão as mesmas? Qual a posição dele diante da situação caótica que Itabira está, afinal, são barragens e alteamentos paralisados, exaustão do minério a passos largos, comunidade maltratada pelo péssimo entrosamento do gerente atual com a população, categoria desvalorizada e arrebentada com os salários devassados. O que poderemos esperar deste novo gestor? Continuará com a conduta ridícula e arrogante do atual gerente?”

Questionado sobre o futuro do atual gerente Rodrigo Chaves, André Viana respondeu: “dizem por aí que ele ocupará a gerência de fechamento de minas. Uma espécie de coveiro especializado. Como diz a cantora Roberta Miranda: Vá com Deus”, disse.

Detido

Durante as manifestações, Carlos Alberto Miguel “Negão”, ex-presidente e atual diretor social do sindicato foi detido pela Polícia Militar. “Estamos no nosso direito de manifestar e iremos fazer. Na minha época sempre enfrentei tudo e todos pelos trabalhadores e hoje, passados mais 30 anos, não fugirei à regra, muito menos a luta” disse o diretor.

O Diretor foi conduzido ao 26° Batalhão e após ter sido assistido pelo advogado do sindicato, Adriano Josafá, foi liberado.

O presidente do Metabase, André Viana, repudiou exaustivamente a condução do diretor sindical que na sua visão estava no livre exercício do direito democrático de manifestação e luta e emendou: “Temos enorme respeito pela Polícia Militar, composta por trabalhadores também, porém, tais ações não calarão as nossas vozes e nem mesmo impedirão nossas ações que irão continuar firmes e sem medo. Paz sem voz não é paz, é medo”. Finalizou.