Governador de Minas, Romeu Zema; o secretario de saúde, Carlos Eduardo Amaral e o Secretario de Estado de Planejamento, Otto Levy em coletiva sobre o Corona Virus Covid-19. Foto: Pedro Gontijo/Imprensa MG

Zema anuncia criação de 800 leitos no combate ao coronavírus

Hospital de campanha que será erguido em Belo Horizonte atenderá pacientes de alta complexidade.

Governo de Minas dará início, nesta quarta-feira (25/3), à construção de um hospital de campanha no Expominas, em Belo Horizonte. Serão oferecidos 800 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados ao enfrentamento do novo coronavírus. A informação foi divulgada pelo governador Romeu Zema em coletiva de imprensa transmitida ao vivo nesta terça-feira (24/3).

“Como o Expomimas está com a sua atividade interrompida, vamos aproveitar um galpão de 18 mil metros quadrados, climatizado e um pé-direito adequado para darmos início, a partir de amanhã, à construção de um hospital de campanha. Além disso, ainda temos a previsão de ofertarmos mais 100 leitos de alta complexidade em uma área anexa”, explicou.

Pela manhã, além do Expominas, o governador vistoriou o Hospital Mário Penna nesta terça-feira. A unidade hospitalar conta, atualmente, com uma área desativada e que pode ser utilizada com a mesma finalidade. “A forma mais fácil de adicionarmos novos leitos ao Sistema de Saúde é utilizarmos estruturas já preparadas, mas que se encontram ociosas”, disse.

O governador ressaltou que outros leitos serão ampliados em hospitais no interior. A Polícia Militar começou a contatar prefeituras para ter um panorama de onde podem ser erguidos hospitais de campanha ou ampliados leitos em unidades já existentes. Uberlândia, Juiz de Fora, Barbacena e Divinópolis são municípios que apresentam potencial. Hoje, o SUS opera com cerca de 2 mil leitos em Minas. Metade desses estarão vagos com o cancelamento das cirurgias eletivas.

Doação

Durante a coletiva, o governador Romeu Zema anunciou que já está disponível um link site www.mg.gov.br com informações para pessoas físicas e jurídicas que desejam fazer doações de material e recursos financeiros. “Estamos recebendo muita solidariedade de empresas, entidades e pessoas que gostariam de fazer contribuições para combatermos a pandemia em Minas Gerais. Por meio deste link os interessados terão todas as informações necessárias”, explicou.

Turismo

Outra informação divulgada foi em relação à cadeia do turismo. A partir desta terça-feira (24/3) micro e pequenas empresas que compõem o setor terão condições de financiamento facilitadas pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Os juros iniciais da linha de crédito caem de 7% ao ano (+ INPC) para 5% ao ano (+ INPC). Já o prazo de carência dobrou, passando de seis meses para 12 meses, com pagamento em até 48 meses.

Podem solicitar o crédito empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões e pertencentes a uma das mais de 90 atividades econômicas da cadeia do turismo, incluindo empresas de hospedagens, bares e restaurantes, transporte e agências de turismo, até negócios de produções artísticas, de teatro e dança, animação de festas, infraestrutura de eventos e aluguel de equipamentos.

Mas o governador adiantou que já está em estudo pelo BDMG a criação de linhas de créditos para empresas de todos os portes e que atuam nas demais áreas da economia. “É uma resposta do banco às empresas que estão sendo afetadas pela crise”, explicou.

ICMS

Um dado alarmante apresentado por Zema durante o pronunciamento foi em relação à previsão de queda da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) com o impacto do novo coronavírus na economia mineira. Estima-se que a retração será de R$ 7,5 bilhões em 2020.

“A perda que estimávamos de R$ 2,5 bilhões pode atingir uma cifra três vezes maior, caso essa previsão pessimista se confirme. Isso nos deixa extremamente preocupados. A Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) já está atenta às medidas que poderão ser adotadas para nos adaptarmos a este novo cenário”, relatou.

Presente à coletiva, o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Otto Levy, chamou atenção para a dimensão do problema. “Nós estamos falando de duas folhas de pagamento do Estado. Significa que a economia de Minas perderá duas folhas até o final do ano”, enfatizou.