Comissão acompanha desdobramento do PEF desde seu lançamento na ALMG, em agosto de 2019 - Arquivo ALMG - Foto: Willian Dias

Plano Estratégico Ferroviário volta a ser tema de audiência

Entidades questionam alguns dos projetos priorizados no estudo. Comissão quer promover o diálogo.

A Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras realiza, nesta segunda-feira (13/7/20), audiência pública para debater o andamento do Plano Estratégico Ferroviário (PEF), estudo que busca selecionar projetos prioritários para a retomada ferroviária no Estado.

A reunião, solicitada pelos membros da comissão, será às 9 horas, no Auditório José Alencar da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O PEF vem sendo desenvolvido pela Fundação Dom Cabral (FDC) e conta com sugestões enviadas pela chamada “frente ferroviária”. O grupo reúne organizações da sociedade civil que atuam no setor, além de associações, conselhos, prefeituras e parlamentares.

De acordo com o presidente da comissão, deputado João Leite (PSDB), em workshop realizado na última semana, a FDC divulgou 65 projetos considerados prioritários, mas a lista gerou muitos questionamentos na frente ferroviária.

“A Assembleia vai abrir o diálogo para que sugestões possam ser feitas”, enfatizou. Segundo João Leite, uma reunião prévia será realizada com o secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Marco Aurélio Barcelos, para informá-lo sobre os questionamentos.

A subsecretária da pasta, Monica Salles Lanna, participará da reunião de segunda-feira, juntamente com o professor Paulo Resende, responsável pelo PEF na fundação Dom Cabral, e o presidente da ONG Trem, André Tenuta.

Frente ferroviária quer a volta da Bahia-Minas

Um dos exemplos apontados pelo parlamentar diz respeito a uma linha priorizada, interligando Teófilo Otoni (Jequitinhonha/Mucuri) e Governador Valadares (Rio Doce). Mas, em vez dessa opção, a frente ferroviária defende a volta da Bahia-Minas.

“A linha da Vale (Vitória a Minas) não aceita cargas de terceiros. Então, quando o produto chegar a Valadares, terá o preço inviabilizado pela questão da logística. A Bahia-Minas leva até o porto”, detalha João Leite.

Outro questionamento é sobre o trecho ligando Lavras a Três Corações, no Sul de Minas. Ali existe o planejamento de implantação do trem turístico “Expresso do Rei”, em homenagem a Dom Pedro II, que inaugurou a malha.

De acordo com João Leite, a ALMG levantou a demanda envolvendo um porto seco em Varginha (SUL), para o transporte de café, que poderia ser feito de forma alternada com o transporte de passageiros. “O ganho subiria de R$ 12 bilhões para R$ 100 bilhões”, afirmou. Hoje, segundo ele, o café segue pela BR-381 até o porto de Santos (SP).