Ilustração/Pixabay

Temperaturas sobem em novembro e seca piora no Sul e Sudeste

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São Paulo ingressa no monitor de secas com área de seca extrema ao norte.

Em novembro, houve piora na condição de seca relativa em partes de Minas Gerais, Goiás, Paraná e Santa Catarina, em comparação ao mês anterior, de acordo com levantamento do Monitor de Secas, divulgado nesta segunda-feira, 21 de dezembro, pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e instituições parceiras. São Paulo, que pelo primeiro mês figura no monitor, ingressa com seca extrema em parte de sua região Norte.

Entre as regiões, na Região Nordeste, com a ocorrência de chuvas, houve recuo na seca moderada nos estados do Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia. Também ocorreu recuo de seca fraca nos estados do Maranhão, Paraíba, Pernambuco e da Bahia.

Na Região Sudeste, a seca avançou em grande parte do território, devido às chuvas abaixo da normalidade e aumento nas temperaturas. Por outro lado, houve recuo da seca fraca em áreas do norte de Minas Gerais e no Rio de Janeiro, onde as chuvas foram acima da média.

Na Região Sul, houve agravamento da seca nos três estados em consequência de chuvas abaixo da média e aumento nas temperaturas.

Nos demais estados cobertos pelo Monitor, pode-se destacar o abrandamento da seca no norte do Tocantins, graças a aumento das chuvas. Também se destaca avanço da seca grave  no leste do Mato Grosso do Sul e a intensificação da seca no oeste de Goiás, que passou de grave para extrema.

Veja o resumo da situação por estado, em novembro:

Em Alagoas, ocorreram anomalias negativas de precipitação no litoral e positivas nas demais áreas, contudo os indicadores não apontaram alteração na condição de seca. Por conseguinte, permanecem os impactos da seca no estado.

Na Bahia, verificou-se recuo da seca moderada no noroeste e de seca fraca  no sul e nordeste do estado, em virtude das anomalias positivas de precipitação. O recuo da seca fraca ampliou a área sem seca relativa e também sem impactos de longo prazo. No entanto, o estado ainda se encontra sob os impactos de curto prazo e de curto e longo prazo.

No Ceará, embora tenham ocorrido anomalias positivas e negativas de precipitação em novembro, os indicadores não apontaram alteração na condição de seca. Dessa forma, na porção central do estado permanecem os impactos de curto e longo prazo  e nas demais áreas de curto prazo.

No Distrito Federal, não houve alteração no traçado devido às anomalias positivas de chuva no trimestre.

No Espírito Santo, houve expansão da área com seca fraca (S0) na porção sul do estado, devido aos desvios negativos de precipitação. Os impactos são de curto prazo.

Em Goiás, ocorreu intensificação da seca no oeste, passando de grave para seca extrema e expansão da área com seca grave na porção central e seca fraca no nordeste do estado, em consequência dos desvios negativos de precipitação e piora dos indicadores. Os impactos são de curto prazo no leste e de curto e longo prazo no restante do estado.

Em Mato Grosso do Sul, houve aumento da área com seca grave no centro-sul e leste do estado devido às precipitações abaixo da normalidade e piora dos indicadores. Em contrapartida, no nordeste, ocorreu suavização da seca, que passou de seca extrema a seca grave.  Os impactos são de curto e longo prazo.

No Maranhão, houve recuo da seca moderada no noroeste e de seca fraca na parte norte do estado, devido às anomalias positivas de precipitação. Os impactos permanecem de curto e longo prazo na porção central e de curto prazo nas demais áreas.

Em Minas Gerais, houve expansão da área com seca grave no noroeste, assim como avanço das secas fraca e moderada na área central, em decorrência das chuvas abaixo da normalidade e piora dos indicadores. Por outro lado, ocorreu desaparecimento da seca fraca no norte devido aos desvios positivos de precipitação.  Os impactos são de longo prazo nordeste do estado; de curto e longo prazo em porções ao norte, oeste e sul, e no restante, permanecem impactos de curto prazo.

Na Paraíba, houve recuo da seca fraca na parte sudoeste do estado, devido às anomalias positivas de precipitação. Os impactos da seca permanecem de curto e curto e longo prazo.

No Paraná, houve acentuação da seca, passando de seca grave para seca extrema  no oeste do estado, além da intensificação da condição de seca no norte e oeste, que passou de seca moderada a seca grave, devido aos desvios negativos de precipitação e piora dos indicadores. Por outro lado, em decorrência dos desvios positivos de precipitação no leste, ocorreu atenuação da seca, passando de seca extrema a grave. Os impactos são de curto e longo prazo.

Em Pernambuco, em decorrência das anomalias positivas de precipitação, houve atenuação da seca no extremo oeste do estado, passando de seca moderada para seca fraca no Sertão pernambucano, além do recuo da seca fraca na região do Pajeú. Os impactos associados a seca continuam de curto e longo prazo no leste e sudoeste, e de curto prazo no restante do estado.

No Piauí, ocorreu recuo da seca moderada na parte sudeste do estado, em decorrência das anomalias positivas de precipitação. Os impactos continuam de curto e longo prazo no centro-sul e de curto prazo nas demais áreas.

No Rio de Janeiro, houve um pequeno avanço da seca moderada no sul. Em contrapartida, houve recuo das secas fraca e moderada no centro e norte do estado, devido às anomalias positivas de precipitação. Os impactos são de curto prazo.

No Rio Grande do Norte, não houve alteração na condição de seca. Assim, os impactos permanecem de curto e longo prazo em parte do Seridó e Borborema, e curto prazo nas demais áreas.

No Rio Grande do Sul, houve intensificação da condição de seca em grande parte do estado devido aos desvios negativos de precipitação e piora dos indicadores. Na fronteira com Santa Catarina, passou de seca grave a extrema; no norte e centro-sul, de seca moderada a seca grave ; e no centro-norte e leste, de seca fraca a moderada. Os impactos são de curto prazo em uma porção no norte do estado e de curto e longo prazo no resto do território.

Em Santa Catarina, ocorreu intensificação da seca, passando de seca grave para seca extrema no oeste do estado e de seca moderada para seca grave no centro do estado, próximo à fronteira com o Rio Grande do Sul, devido aos desvios negativos de precipitação e piora dos indicadores. Os impactos são de curto e longo prazo.

Em São Paulo, houve desvios negativos de chuva, bem como ocorrência de temperaturas mais altas que o normal, principalmente no oeste. Em decorrência disso, na porção noroeste a seca é considerada extrema. Em parte do leste e do nordeste do estado a intensidade da seca é moderada. Nas demais áreas do estado, a intensidade de seca é considerada grave. Os impactos são de curto prazo no leste e de curto e longo prazo no restante do estado.

Em Sergipe, embora tenha ocorrido anomalia negativa de precipitação em quase todo o estado, não se observou modificação na condição de seca. Os impactos continuam de curto e longo prazo no norte e noroeste e de curto prazo no sul e leste.

No Tocantins, ocorreu abrandamento da seca no norte, que passou de seca moderada para seca fraca, em função dos desvios positivos de chuva. Os impactos são de curto prazo no sudeste e norte e de curto e longo prazo nas demais áreas do estado.

O Monitor de Secas

O Monitor de Secas é coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com o apoio da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), e desenvolvido conjuntamente com diversas instituições estaduais e federais ligadas às áreas de clima e recursos hídricos, que atuam na autoria e validação dos mapas. Por meio da ferramenta é possível comparar a evolução das secas nos 19 estados e no Distrito Federal a cada mês vencido.

O projeto tem como principal produto o Mapa do Monitor, construído mensalmente a partir da colaboração dos estados integrantes do projeto e de uma rede de instituições parceiras que assumem diferentes papéis na rotina de sua elaboração.

Em operação desde 2014, o Monitor de Secas iniciou suas atividades pelo Nordeste, historicamente a região mais afetada por esse tipo de fenômeno climático. No fim de 2018, com a metodologia já consolidada e entendendo que todas as regiões do País são afetadas em maior ou menor grau por secas, foi iniciada a expansão da ferramenta para incluir outras regiões. O primeiro estado de fora do Nordeste a entrar foi Minas Gerais em novembro de 2018. O Espírito Santo foi o próximo a aderir em junho de 2019. Em 2020, passaram a integrar o Mapa do Monitor: Tocantins (janeiro), Rio de Janeiro (junho), Goiás (julho), Distrito Federal (julho) e Mato Grosso do Sul (agosto).

A metodologia do Monitor de Secas foi baseada no modelo de acompanhamento de secas dos Estados Unidos e do México. O cronograma de atividades inclui as fases de coleta de dados, cálculo dos indicadores de seca, traçado dos rascunhos do Mapa pela equipe de autoria, validação dos estados envolvidos e divulgação da versão final do Mapa do Monitor, que indica uma seca relativa – as categorias de seca em uma determinada área são estabelecidas em relação ao próprio histórico da região – ou a ausência do fenômeno.