PCMG investiga empresa de consultoria financeira por estelionato em BH
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apresentou, nesta quinta-feira (7/3), o resultado parcial da investigação acerca de uma suposta empresa de consultoria financeira, estabelecida na região central de Belo Horizonte, suspeita de enganar as vítimas para adquirir empréstimos em nome delas.
A operação policial, realizada na última terça-feira (5/3), culminou na prisão de três pessoas e no cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência de um dos investigados.

Crime
Segundo levantamentos, as vítimas eram, geralmente, pessoas idosas ou deficientes, aposentadas e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com baixa escolaridade, algumas, inclusive, analfabetas. Os suspeitos as enganavam com a falsa promessa de renegociação de dívidas já existentes.
As investigações indicam que, sob a fachada de consultoria financeira, a empresa funcionava de portas fechadas e atendia os interessados mediante agendamento de data e horário, feitos por telefone, meio pelo qual entravam em contato com as pessoas. Sozinhos com a vítima, os suspeitos fotografavam seus documentos e também a própria vítima para utilizar a imagem em uma das etapas de verificação de segurança dos aplicativos.
De acordo com as apurações, os investigados afirmavam que o empréstimo consignado que a vítima já tinha feito em outra instituição financeira seria comprado e ela ainda receberia um valor de volta. No entanto, os investigados contratavam outros empréstimos utilizando aplicativos bancários do telefone da vítima. Assim, contraiam de forma imediata o empréstimo – e faziam a transferência do valor para a empresa de fachada -, que se tornava dívida de consignado na pensão/aposentadoria das vítimas em quase 90 meses.
Sempre que necessário, um dos suspeitos acompanhava a vítima a casas lotéricas ou agências bancárias próximas e fazia com que ela pagasse boletos ou efetuasse a transferência dos valores para a conta da empresa, alegando que era parte do processo de compra da dívida, que ficaria quitada com a instituição financeira anterior.
Investigações
As investigações, realizadas pela equipe da 1ª Delegacia Especializada em Defesa do Consumidor, pertencente ao Departamento Estadual de Combate à Corrupção e a Fraudes (Deccof), apontam que se trata de uma organização criminosa composta, em maioria, por suspeitos do Rio de Janeiro, com apenas alguns sócios e funcionários de Minas Gerais.
De acordo com a delegada responsável pelas investigações, Elyenni Célida, em quatro anos, a empresa mudou de sede quatro vezes. Todos endereços da região central de Belo Horizonte: ruas Carijós, Tupinambás, Augusto de Lima e Tupis.
Em decorrência da operação policial, houve o bloqueio de bens da empresa e dos suspeitos em valor aproximado a meio milhão de reais. Durante a ação, foram presos dois sócios da empresa e uma ex-funcionária que não participava da organização criminosa, mas tinha ciência do crime que estava cometendo.
A delegada informa que, até o momento, cerca de dez vítimas foram ouvidas, e foi possível perceber que para cada uma os suspeitos utilizavam abordagens distintas. “Uma senhora de mais de 70 anos, diabética, ficou desde às 10h até às 16h, que foi o tempo necessário para o dinheiro cair na conta, e a transferência para a empresa ser feita. Ela ficou retida, sem poder se alimentar corretamente, mesmo informando aos suspeitos do remédio que precisava tomar e da alimentação adequada para ela”, exemplificou Elyenni.
Os suspeitos teriam conseguido informações das vítimas com algumas instituições financeiras que, de forma ilegal, vendem o banco de dados das pessoas. “Em nome de cada pessoa, eram feitos empréstimos de cerca de R$ 10 mil, R$ 12 mil, que é a margem que a maioria das vítimas tinha pelo benefício do INSS”, afirma a delegada.
A policial orienta, ainda, que idosos compareçam a instituições financeiras ou bancos, sempre que possível, acompanhados de alguém de confiança.
A chefe da Divisão Especializada de Investigação aos Crimes Cibernéticos e Defesa do Consumidor, delegada Cristiana Pereira Gambassi Angelini, espera que, com a divulgação da investigação, outras vítimas procurem a polícia. “Se a vítima perceber que há um empréstimo no nome dela que ela não fez, ela precisa comparecer à delegacia. Lembramos que o crime de estelionato precisa de representação”, observa. As investigações continuam.
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