Impactos da construção do Rodoanel são tema de audiência

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Impactos da construção do Rodoanel são tema de audiência

Direitos Humanos convoca secretárias de Estado para discutir o desrespeito a leis sobre consulta aos atingidos e sobre licenciamento ambiental

Debater os impactos da implementação do projeto do Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte sobre os direitos humanos é o objetivo de audiência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Solicitada pelas deputadas Bella Gonçalves (PSOL), Beatriz Cerqueira (PT) e o deputado Lucas Lasmar (Rede), a reunião da Comissão de Direitos Humanos acontece nesta quarta-feira (1º/10/25), às 15h30, no Plenarinho IV.

De acordo com o requerimento do evento, o empreendimento proposto pelo Governo do Estado desrespeita o direito à consulta livre, prévia e informada das populações atingidas. Quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais diretamente afetados pelos traçados reclamam não terem sido ouvidos antes do leilão da concessão, que ocorreu em agosto de 2022, nem posteriormente.

Manifestação de famílias atingidas pelo Rodoanel, do Bairro Estâncias Imperiais, em Contagem – Arquivo ALMG – Foto: Guilherme Bergamini

O requerimento destaca que tal desrespeito contraria o disposto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Isso porque, na avaliação dos parlamentares, ainda há muitas dúvidas quanto ao cumprimento das exigências legais para a implementação do projeto, além de outras denúncias sobre violações de direitos humanos.

A comissão quer discutir ainda o processo de concessão da licença ambiental ao empreendimento e, para isso, convocou duas secretárias de Estado: Marília Carvalho de Melo, de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e Alê Portela, de Desenvolvimento Social.

Na avaliação de Bella Gonçalves, o Rodoanel vai provocar grandes danos ambientais e sociais, além de ser um projeto autoritário.

“A Semad e a Sedese precisam respeitar a legislação nacional, que prevê a consulta às comunidades atingidas; não podem colocar interesses econômicos à frente desses povos que já ocupam o território.”
Bella Gonçalves
Dep. Bella Gonçalves

Assunto vem sendo discutido há quatro anos

Os problemas que a obra pode ocasionar já vêm sendo discutidos na Assembleia há mais de quatro anos. Em fevereiro de 2021, foi firmado o acordo entre a Vale e o Governo de Minas, para compensar os danos causados pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho (RMBH). Na época, membros do governo divulgaram que parte dos R$ 37,68 bilhões obtidos com o acordo seriam aplicados no empreendimento do Rodoanel Metropolitano.

Conforme a Secretaria de Estado de Infraestrutura, o Rodoanel Metropolitano, com trajeto de 100 km passando por 11 municípios, buscará desafogar o trânsito no Anel Rodoviário de Belo Horizonte. A rodovia será construída por meio de parceria público-privada (PPP), financiada com recursos do acordo. As obras da primeira etapa devem custar R$ 5 bilhões e serão executadas pela concessionária Rodoanel BH, que ficará responsável pela exploração do trecho por 30 anos.

Com início de obras previstas para outubro deste ano, o Rodoanel deve contemplar, na primeira fase, as alças Oeste e Norte, com extensão de 70 km, atravessando oito municípios. A concessionária aguarda a conclusão do processo de licença de instalação para definir um cronograma de obras.

Além das duas secretárias convocadas, foram convidados representantes dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, das Prefeituras de Contagem e Betim, duas das cidades da RMBH atingidas pela obra; PUC Minas e lideranças quilombolas.

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