MPMG recupera e devolve a santuário de Catas Altas da Noruega imagem de São Roque furtada há 30 anos

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Entrega do bem religioso ocorreu nesta quinta-feira, 23 de abril, após investigação que apurou a procedência da escultura, localizada em anúncio de venda na internet. Laudos técnicos, análises comparativas e o reconhecimento formal da comunidade confirmaram tratar-se da peça extraviada da igreja no fim da década de 1990

A imagem de São Roque, furtada da Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante, em Catas Altas da Noruega, na Região Central de Minas Gerais, foi oficialmente devolvida à comunidade católica nesta quinta-feira, 23 de abril. A cerimônia ocorreu na própria Matriz, marcando o encerramento de um processo de investigação e restituição conduzido pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

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O reencontro da comunidade com a imagem, desaparecida desde abril de 1996, foi possível a partir da atuação da Coordenadoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC) do MPMG, no âmbito de Inquérito Civil instaurado para apurar a possível comercialização irregular do bem pela internet.

A investigação teve início após denúncia de que uma escultura de São Roque estava sendo anunciada em um perfil de uma rede social como integrante de “coleção particular”. A partir do levantamento técnico realizado pela CPPC, foi identificado que a peça apresentava fortes indícios de corresponder à imagem registrada como extraviada da Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante, conforme cadastro do Sistema Sondar – banco de dados do MPMG voltado à proteção do patrimônio cultural.

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Laudos técnicos, análises comparativas e o reconhecimento formal da comunidade local confirmaram a procedência da escultura. O parecer técnico final concluiu haver alta correspondência entre a peça anunciada e a imagem furtada, considerando características formais, estilísticas, dimensões, iconografia e relatos históricos.

Além da análise especializada, o processo contou com o reconhecimento do então pároco da Paróquia à época do furto, padre José Eudes, atualmente bispo da Diocese de São João del-Rei, e de fiéis que conviveram com a imagem antes do desaparecimento. O conjunto de provas levou à confirmação de que se tratava do mesmo bem.

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Termo de Compromisso 

A fim de garantir a devolução da peça sacra à Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante, o MPMG firmou com o detentor da imagem um Termo de Compromisso Positivo, com adesão à Campanha Boa Fé. A iniciativa da CPPC estimula a devolução espontânea de bens culturais de origem lícita duvidosa aos seus locais de pertencimento histórico.

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Como resultado do acordo, a peça foi entregue ao Ministério Público em agosto do ano passado.

Reconhecido como protetor contra pestes e epidemias, São Roque é símbolo de fé, esperança e devoção popular. O retorno da imagem ao santuário representa a recomposição de um conjunto sacro que integra o patrimônio cultural do município.

A Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante, edificada no século XVIII e tombada pelo município, tem seu acervo protegido por força do tombamento, o que reforça o valor histórico e coletivo do bem restituído.

Para o MPMG, a devolução da imagem reafirma o compromisso institucional com a defesa do patrimônio cultural, religioso e histórico de Minas Gerais, além de contribuir para a preservação da memória e da identidade das comunidades locais.

Imagem destaque: André Vitor/PASCOM

Imagens internas: MPMG

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