Usina de Ferro Gusa pode paralisar atividades devido novas tarifas dos EUA

WhatsApp
Facebook
Imprimir

Mais da metade das usinas de Ferro Gusa podem paralisar atividades caso novas tarifas dos EUA entrem em vigor, alerta SINDIFER-MG

Com tarifas que podem chegar a 37,5%, sindicato que representa o setor participará de audiência nos EUA para tentar reverter a situação. 

O Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (SINDIFER), filiado à FIEMG, alerta para os impactos de possíveis novas tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos sobre o Ferro Gusa brasileiro. O governo norte-americano propôs taxas de 25%, acrescidas de uma segunda taxa de 12,5%, podendo chegar a 37,5%. Essas tarifas serão discutidas em audiências públicas marcadas para 6 de julho, e as decisões deverão sair no dia 15 do mesmo mês. O SINDIFER-MG participará da audiência nos Estados Unidos para acompanhar o processo e atuar na defesa do setor.

O Ferro Gusa é a principal matéria-prima para a produção de aço e ferro fundido, essencial para toda a cadeia produtiva da metalurgia. O Brasil é um dos maiores exportadores do produto, com os EUA como maior importador, reforçando a relevância estratégica do setor no comércio internacional. Segundo levantamento do SINDIFER-MG, caso as tarifas sejam implementadas, cerca de 55% das usinas brasileiras poderiam paralisar suas atividades, provocando impactos diretos sobre PIB e competitividade do setor. Minas Gerais lidera a produção nacional, com 48 usinas e 63 fornos, somando capacidade instalada de cerca de 420 mil toneladas por mês, aproximadamente 70% da produção nacional. Sete Lagoas, na região central de Minas, concentra 21 dessas unidades, reforçando a importância estratégica da cidade para o setor.

O desempenho do segmento entre janeiro e maio evidencia a relevância das exportações. Em 2025, a produção nacional totalizou cerca de 5,4 milhões de toneladas, das quais Minas Gerais representou quase 70%. Cerca de três quartos do volume produzido foi destinado à exportação, sendo mais de 80% para os EUA. Só em Sete Lagoas, mais de 1 milhão de toneladas foram exportadas no ano passado. Entre janeiro e maio de 2026, a produção nacional somou cerca de 1,6 milhão de toneladas, das quais 80% foram exportadas aos EUA.

O setor ainda gera mais de 60 mil empregos diretos e indiretos em Minas Gerais, evidenciando sua relevância socioeconômica. Fausto Varela, presidente do SINDIFER-MG, reforça os impactos nacionais e locais de uma possível taxação extra. ”Esse cenário afeta todo o país, principalmente Minas Gerais, e deverá comprometer empregos, investimentos e a geração de divisas”, afirma.

Para reduzir os efeitos do tarifaço, o SINDIFER contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos para buscar a reversão do processo e negociar exceções para o Ferro Gusa, além de manter diálogo permanente com compradores e autoridades americanas. Os impactos esperados incluem paralisação de usinas, redução de empregos, queda no PIB e comprometimento da competitividade brasileira no mercado internacional.

Fonte: Ascom/FIEMG