Projeto Laudelina inicia curso de camareira com vítimas de violência

WhatsApp
Facebook
Imprimir

Projeto Laudelina inicia curso de camareira com vítimas de violência

Capacitação envolve 40 mulheres, que, além do aprendizado prático, receberão oportunidade de ingresso no mercado de trabalho por meio de entrevistas de emprego em rede hoteleira de Belo Horizonte.

Fotos: MPMG/Divulgação

Em busca de autonomia e desenvolvimento pessoal e profissional, 40 mulheres encaminhadas por instituições da Justiça e organizações da sociedade civil deram início, nesta segunda-feira, 26 de maio, ao aprendizado do ofício de camareira, em curso oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Dentre as aprendizes, estão pessoas indicadas pelo Centro Estadual de Apoio às Vítimas (Casa Lilian), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em busca auxiliar a superar o trauma da violência por meio do ingresso no mercado de trabalho.

O curso é parte do projeto Laudelina, que envolve o MPMG, por meio da Casa Lilian, em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o Senac, o Conselho Regional Imobiliário (Cori) e a organização Filhas de Sara. A rede Accor de hotéis também participa, oferecendo instalações para o módulo prático e recebendo as egressas do curso em entrevistas de emprego, com possibilidade de contratação. “As mulheres vão participar de processo seletivo. Então, muito além de um curso, é um programa de empregabilidade para mulheres na hotelaria”, explica a especialista técnica de relacionamento institucional do Senac em Minas, Ana Roberta da Cruz.

Além do aprendizado técnico e prático, as participantes podem receber atendimentos psicossociais na Casa Lilian. Em rodada de apresentação, elas relataram o desejo de ter oportunidade de um novo trabalho como passo inaugural para a independência financeira.

NOTICIA03_abertura_proj_laudelinas_manha_senac_EricBezerraIMG_2411.jpg

A coordenadora da Casa Lilian, Ana Tereza Giacomini, explicou a importância do ingresso no mercado de trabalho para o público atendido. “Na Casa Lilian, temos visto, a partir dos atendimentos, muitas mulheres que deixam o mercado de trabalho ou os estudos em razão do impacto da violência que sofreram. E aí tem o resgate para que elas retomem o mercado de trabalho como parte desse processo de reconstrução. Ao mesmo tempo, a gente sabe que é pela independência financeira, é pela independência social que elas conseguem ajudar a romper esse ciclo de violências em que muitas vezes se encontra”, disse.

Ana Tereza explicou ainda que o projeto Laudelina faz parte do programa Compartilhar, da Casa Lilian, que busca parcerias para iniciativas que envolvam vítimas de violência. O órgão vem mantendo contato com organizações públicas e da sociedade civil para a realização de campanhas, oficinas, cursos e outras ações similares. “Existem várias possibilidades para que a gente consiga atingir a restauração das vítimas. Hoje nós estamos falando do mercado de trabalho, de formação, de autonomia financeira, mas temos que observar muitas outras questões para essas mulheres”, destacou.

Quem é Laudelina 

O nome do projeto encampado pela Casa Lilian faz referência a Laudelina de Campos Melo, pioneira na luta pelos direitos das empregadas domésticas no Brasil. Nascida em 1904, em Poços de Caldas, no Sul de Minas, começou a trabalhar ainda criança e, ao longo da vida, atuou como liderança política. Fundou em 1936, em Santos (SP), a primeira associação de trabalhadores domésticos do país, enfrentando repressões durante o Estado Novo. Também atuou na Frente Negra Brasileira e em movimentos culturais e sociais voltados à valorização da população negra, em trajetória que marcou o sindicalismo e o feminismo negro no Brasil.