Pesquisadores de universidades apresentam para comunidade atingida estudo que será feito na Bacia do Rio Paraopeba

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Pesquisadores de universidades apresentam para comunidade atingida estudo que será feito na Bacia do Rio Paraopeba

Fotos: Camila Soares/MPMG

Em reunião realizada no MPMG, equipes da UFRJ e UFRRJ explicaram como será realizada análise de alimentos produzidos na região afetada pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho

Cerca de 70 pessoas, em sua maioria representantes dos atingidos pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, participaram nesta terça-feira, 12 de maio, em Belo Horizonte, da apresentação do “Estudo da Produção Agropecuária e do Pescado na Bacia do Paraopeba”, que será feito por pesquisadores e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

O encontro, que foi realizado na sede do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), teve transmissão ao vivo pelo canal da instituição no YouTube.

A reunião foi promovida pelo MPMG, por meio do Núcleo de Reparação por Desastres (Nucard), em conjunto com a Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), o Ministério Público Federal (MPF) e o Governo do Estado – compromitentes do acordo judicial de reparação de Brumadinho. Também estiveram presentes representantes da auditoria técnica e ambiental independente Aecom e das assessorias técnicas independentes das regiões afetadas pelo rompimento.

O estudo e sua metodologia foram apresentados pelas equipes de pesquisadores e professores do Laboratório de Sistemas Avançados de Gestão da Produção (Sage) do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ e da UFRRJ.

 

A pesquisa analisará os alimentos e o pescado produzidos na Bacia do Paraopeba, está em fase de planejamento e levará 42 meses para ser concluída.

O coordenador do Nucard, procurador de Justiça Leonardo Castro Maia, explica que o estudo faz parte do desenvolvimento do acordo judicial de reparação de Brumadinho, dentro da obrigação geral de reparação integral da Vale. A proposta de trabalho do laboratório Sage/Coppe da UFRJ e da UFRRJ foi avaliada entre diversas concorrentes e selecionada pelos compromitentes devido à qualificação técnica e à independência científica comprovada.

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A iniciativa, segundo Castro Maia, atende a uma demanda das pessoas para saber como está a qualidade dos alimentos da região. Ele ressaltou que os serviços serão prestados aos compromitentes do acordo e não para a Vale. Na reunião, os pesquisadores destacaram que o laboratório é público e independente, e que o estudo será feito em defesa exclusiva das pessoas atingidas. A responsabilidade de pagamento da pesquisa é da mineradora, conforme prevê o acordo de reparação.

Pesquisa 

Segundo os pesquisadores da UFRJ, o objetivo do estudo é avaliar os alimentos da agropecuária, da pesca e da piscicultura, oferecer respostas técnicas e, se necessário, verificar o nexo de causalidade com o rompimento.

A pesquisa contará com a aplicação de questionários, coleta de amostras de produtos de origem vegetal, animal, pescados, sedimentos, água e solos agrícolas, análise de elementos químicos relacionados a rejeitos e ao ambiente da região. Além disso, serão coletados materiais em áreas livres da influência do Paraopeba para eventual avaliação de nexo causal.

Após a apresentação, as pessoas atingidas puderam expor dúvidas que foram esclarecidas pela equipe de pesquisadores e pelos compromitentes do acordo.

O engenheiro Rogério Gianetti Pereira da Rocha, atingido da Região 3, participou da reunião e considera o estudo necessário. Ele conta que a sua região compreende 10 municípios e tem produção diversificada, com a maioria de pequenas propriedades familiares, inclusive com comunidades quilombolas.

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Transparência 

O procurador de Justiça Leonardo Castro Maia ressaltou que o trabalho desenvolvido pelos pesquisadores pode ser acompanhado por qualquer pessoa, por meio do portal da Aecom, entidade que realiza a auditoria técnica e ambiental do acordo judicial de reparação.

Ele salientou ainda que outros tipos de monitoramento podem ser colocados em prática pelas pessoas atingidas ou por demais interessados, como reuniões, encontros ou formação de grupos para acompanhar os trabalhos. “O acordo de reparação prioriza a transparência”, disse.

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