Filhotes trigêmeos de onça-pintada são batizados como Davi, Murici e Mambaí após votação popular

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Filhotes trigêmeos de onça-pintada são batizados como Davi, Murici e Mambaí após votação popular

Imagem: MPMG

Com 1.442 participações vindas de diferentes regiões do Brasil e de outros países, a escolha dos nomes marcou mais um capítulo do projeto “Onças: Guardiãs do Grande Sertão Veredas”. A iniciativa é apoiada pelo MPMG por meio da Plataforma Semente

Os três filhotes de onça-pintada flagrados pelas câmeras da organização Onçafari no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no Norte de Minas, já têm nome: Davi, Murici e Mambaí. A escolha foi feita por votação popular que reuniu 1.442 participações de diferentes regiões do Brasil e de outros países.

A consulta integrou o projeto “Onças: Guardiãs do Grande Sertão Veredas”, viabilizado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por meio da Plataforma Semente, com recursos oriundos de medidas compensatórias aplicadas à conservação do meio ambiente. O público foi convidado a escolher os nomes a partir de listas de opções para cada filhote, todas inspiradas na fauna, flora e cultura do Cerrado:

Filhote 1 – Baru, Mangaba, Pequi ou Davi

Filhote 2 – Murici, Jaguarandi, Bugre ou Jaborandi

Filhote 3 – Kutúk, Mambaí, Urucuia ou Kokwã

Os nomes agora passam a acompanhar a trajetória desses filhotes no Cerrado. O registro dos trigêmeos, captado em 2025, foi um marco científico: é a primeira ninhada de três filhotes de onça-pintada documentada naquela região.

Monitoramento constante 

Desde meados de 2024, as onças-pintadas – incluindo as de pelagem preta, popularmente chamadas de panteras-negras – que vivem no lado mineiro do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, são monitoradas por uma equipe da Onçafari.

Armadilhas fotográficas espalhadas por uma área de 93 mil hectares, equivalente a três vezes o tamanho de Belo Horizonte, disparam automaticamente ao detectar movimento. Até agora, a equipe já identificou 27 onças-pintadas na porção mineira do parque, sendo seis melânicas. A estimativa é que a região tenha uma das maiores proporções de onças-pretas do mundo.

“Não é possível ver a olho nu, mas as pintas estão embaixo da pelagem negra”, explica o biólogo Eduardo Fragoso, coordenador do projeto.

Considerando todo o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, que inclui também a porção baiana, as armadilhas fotográficas já reuniram registros de cerca de 50 onças por meio de 21 mil fotografias. Entre as descobertas mais impactantes está justamente a ninhada de trigêmeos – cuja mãe é acompanhada pelo Onçafari desde que nasceu, em 2019.

Proteção do bioma 

As onças-pintadas são o que os biólogos chamam de “espécie guarda-chuva”: no topo da cadeia alimentar, elas controlam populações de outras espécies e mantêm o equilíbrio ecológico. Quando se protege a onça, protege-se uma vasta rede de florestas, rios, clima e biodiversidade.

A despeito de sua relevância para o bioma, a espécie enfrenta ameaças graves. O desmatamento tem transformado o Cerrado nativo em “ilhas” cercadas por pastos e lavouras. As onças não circulam por áreas desmatadas – ficam confinadas em espaços cada vez menores, o que leva ao isolamento genético, doenças consanguíneas e problemas reprodutivos.

Outro risco é a caça, que reduz as presas naturais dos felinos. Sem alimento, as onças podem atacar o gado, gerando conflitos com moradores da região. Como mitigação de riscos, o projeto Guardiãs trabalha com a ideia de corredores ecológicos – faixas de Cerrado nativo que conectem áreas protegidas, permitindo que as onças circulem, se reproduzam e troquem genes entre diferentes populações.

“Quando protegemos a onça-pintada, protegemos o futuro de todos nós”, resume o Onçafari em suas redes sociais.

Plataforma Semente 

A história de Davi, Murici e Mambaí continua em campo, acompanhada pela equipe do Onçafari, com apoio da Plataforma Semente, núcleo do MPMG criado em parceria com o CeMAIS para incentivar projetos sociais e ambientais de impacto real nas comunidades e na conservação da natureza. O monitoramento seguirá acompanhando o crescimento e as novas etapas da vida dos trigêmeos na natureza.

Qualquer pessoa ou instituição pode propor iniciativas à Plataforma Semente, e os projetos selecionados recebem financiamento e apoio técnico.