Água, clima e futuro: o compromisso que não pode esperar

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O Dia Mundial do Meio Ambiente é mais do que uma data comemorativa. É um convite à reflexão sobre as escolhas que estamos fazendo e sobre o futuro que estamos construindo.

Durante muito tempo, a disponibilidade de água foi tratada como uma condição natural garantida. Hoje sabemos que não é. As mudanças climáticas, a degradação ambiental, a ocupação inadequada do território e a pressão crescente sobre os recursos naturais têm demonstrado que a segurança hídrica não pode mais ser encarada como algo permanente ou automático.

A crise climática deixou de ser uma projeção para as próximas gerações. Ela já está presente em nosso cotidiano. Secas mais prolongadas, chuvas mais intensas, eventos extremos mais frequentes e impactos crescentes sobre rios, nascentes e ecossistemas fazem parte de uma realidade que desafia governos, instituições e comunidades em todo o mundo.

Na Bacia Hidrográfica do Rio Doce, os efeitos dessas transformações são acompanhados de perto pelos Comitês de Bacia. Sabemos que os desafios climáticos exigem mais do que preocupação. Exigem planejamento, cooperação, investimento e capacidade de construir soluções coletivas para problemas cada vez mais complexos.

A água ocupa uma posição estratégica em qualquer projeto de desenvolvimento. Não existe produção agrícola sem água. Não existe indústria sem água. Não existe saúde pública, geração de energia, qualidade de vida ou desenvolvimento econômico sem água. Proteger os recursos hídricos deixou de ser apenas uma pauta ambiental. É uma decisão sobre o presente e o futuro dos territórios.

Ao longo dos últimos anos, importantes avanços foram alcançados na Bacia do Rio Doce por meio de programas voltados à recuperação ambiental, à proteção de nascentes, à adequação ambiental de propriedades rurais, ao saneamento e à educação ambiental.

Mas é preciso reconhecer uma verdade incômoda: os desafios avançam em ritmo acelerado. A emergência climática impõe um novo patamar de responsabilidade para todos nós. Adiar decisões, transferir responsabilidades ou tratar a questão ambiental como um tema secundário significa aumentar os custos sociais, econômicos e ambientais que serão pagos pelas próximas gerações.

Por essa razão, os Comitês das Bacias Hidrográficas do Rio Doce planejam ampliar os investimentos em ações estruturantes ao longo dos próximos anos. Estão previstos mais de R$100 milhões em investimentos até 2030 para iniciativas voltadas à ampliação da disponibilidade hídrica, ao saneamento rural, à recuperação e proteção de nascentes, ao controle da geração de sedimentos e a adequação ambiental de propriedades rurais.

Esses investimentos são financiados pelos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso da água e representam um exemplo concreto de como a gestão participativa dos recursos hídricos pode gerar benefícios para toda a sociedade. Mais do que financiar projetos, esses recursos ajudam a construir resiliência, fortalecer territórios e preparar a bacia para enfrentar um cenário climático cada vez mais desafiador.

Os Comitês da Bacia do Rio Doce seguirão cumprindo seu papel, promovendo investimentos, mobilizando a sociedade e incentivando soluções que contribuam para a proteção dos recursos hídricos. Mas essa missão não pode ser realizada de forma isolada. Ela exige o engajamento dos governos, do setor produtivo, das instituições e de cada cidadão.

Fonte: Hernani Santana / Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH Doce)